DANCINHA

domingo, 4 de janeiro de 2015

DÉJÀ VU NO RS




Desenho de Maurits Cornelis Escher


Déjà vu é um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo.  O termo é uma expressão da língua francesa que significa, literalmente, "Já visto". (Wikipedia)


A sensação de repetição que fica, para quem acompanha a transição de um Governo para outro, no Estado do RS, neste final do ano 2014 e início de 2015, é bastante forte.

É considerado normal que novos governantes questionem, muitas vezes de forma ríspida, beirando a deselegância, a gestão anterior, principalmente se não ocorreu um processo de continuidade, ou seja, se os novos governantes eleitos exerceram oposição ao governo anterior.

Já ocorreram situações em que os governantes que estavam saindo literalmente fugiram da cerimônia da passagem de poder.

Também é considerado aceitável, em algumas situações, que ocorram fortes divergências de avaliação a respeito do estado atual do Governo, entre os governantes que saem e os que entram.

Por outro lado, em alguns casos, essas diferenças de pontos de vista são enormes.

O Governo que sai muitas vezes jura que está deixando para trás uma situação confortável para quem está entrando.

O Governo que entra, por sua vez, quando não é de continuidade, constata que a situação encontrada é ruim, principalmente em relação às finanças, insuportavelmente deficitárias.

No caso da transição atual, o Governo que está entrando adotou a postura de que a situação financeira está caótica, próxima da insolvência.

Não existem recursos para pagamento dos fornecedores e para continuidade de investimentos em andamento, salvo poucas exceções, e se corre grande risco de faltar recursos financeiros para o pagamento dos salários do funcionalismo.

Ou seja, o Governo do RS, segundo os governantes que entram, encontra-se à beira da catástrofe e com um pé já dentro.

Não se diz claramente, porém se induz o pensamento, com apoio da mídia, de que essa situação catastrófica é fruto de desmandos da gestão anterior.

A continuidade dessa lógica no tempo é clara: o caos cada vez aumenta, todos ficam desesperados e o Governo chega à conclusão de que a única solução viável para salvar o Estado, não mais o Governo, é a venda de patrimônio público.

E, assim, é lógico cogitar a venda de várias organizações, como é o caso do Banrisul, CEEE, Corsan (é grande o apetite pela privatização da água), CRM, SULGAS, etc.

A grande mídia, sócia e interessada nessa matéria, martela sistematicamente essa ideia, procurando torná-la aceitável para setores amplos da população.

No final surge o Governador, emocionado, não permitindo o absurdo de todas essas privatizações. Somente permitirá aquelas absolutamente necessárias para a salvação da República Riograndense. Banrisul e Corsan, por exemplo.

O povo suspira, aliviado.

Esse parece ser um roteiro que está sendo colocado em prática.

O que chama a atenção para alguém que não está de posse das informações dos bastidores, é que os governantes que terminaram a gestão em 2014 parecem estar conformados com essa situação.

Obviamente que não estão, porém parecem estar, às vezes.

Por exemplo, como já citado anteriormente, existe um verdadeiro abismo entre a percepção de como o Governo anterior deixou a administração do Estado, comparando com a percepção que está sendo martelada pelos novos governantes do aparentemente estado caótico com que receberam o Governo.

Ressalte-se novamente que os novos governantes têm o apoio firme da "grande mídia" para divulgar seus pontos de vista de terra arrasada, pois parecem existir vários interesses em comum entre os atuais governantes e os proprietários dos meios de comunicação.

Seria de se esperar um grande esforço de divulgação, por parte dos governantes que saíram e seus apoiadores, das enormes discrepâncias entre a realidade dos fatos e a versão que está sendo tornada pública, se essas discrepâncias realmente existem, e parece que existem.

O que se vê são pronunciamentos isolados, algumas vezes quase em tom de desculpa, procurando apresentar de forma tímida as divergências de dados e de avaliação.

Claro, todas essas observações são de alguém que não detêm a totalidade das informações.

Pode ser que existam explicações para tudo, tendo em vista o reconhecido brilhantismo intelectual dos envolvidos.

Porém como já dizia Carl Sagan, "o brilhantismo intelectual não é garantia contra... estar errado".

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