DANCINHA

segunda-feira, 30 de julho de 2012

PSICOLOGIA DA PERCEPÇÃO

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El dibujo y la mirada (ensayo breve sobre psicología de la percepción)  

Thomas Moro Simpson · · · · · 

Son las personas las que ven, no sus ojos.
                                                N.Russell Hanson         
                                    

Lo miro desde hace rato,
y si de mirar no dejo
a veces parece un pato
y otras veces un conejo.

Metamorfosis extraña
con un curioso matiz:
el pato no se hace araña
ni el conejo, una lombriz.

Cada línea, cada punto
sigue su existencia fiel:
nada cambió en el papel,
aquí no hay ningún difunto.

Y si el dibujo es el mismo
en una y otra ocasión,
¿qué exótico mecanismo
los cambia en cada visión?

¡ Desconcertante charada!
De olvidarla ya no hay modo:
pues si bien no cambió nada,
en realidad cambió todo.

Misterio de la mirada,
magia oscura de la mente:
¿quien dijo que no hace nada 
el que mira solamente?
 
Thomas M. Simpson (Buenos Aires, 1929), amigo y colaborador de SinPermiso, es el filósofo argentino más destacado e internacionalmente reconocido de su generación.

sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores. Si le ha interesado este artículo, considere la posibilidad de contribuir al desarrollo de este proyecto político-cultural realizando una DONACIÓNo haciendo una SUSCRIPCIÓN a la REVISTA SEMESTRAL impresa.

Drogas? É preciso pensar

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sigo achando
que o álcool
é problema
mais sério
do que todas
as drogas
ilegais juntas


MARCOS ROLIM*
 

marcos@rolim.com.br

Sempre é bom ver políticos defendendo uma ideia. Ainda que seja só uma e de natureza conservadora. Mas poderíamos combinar algumas coisas. Primeiro: sempre que alguém fizer afirmação sobre relações causais deve indicar sua fonte. Desta forma, é possível checar os dados, avaliar a metodologia empregada e saber até que ponto as conclusões agregam consenso científico.

Se não for assim, só o que se estimula é o medo e o preconceito, o que termina por interditar o debate, ao invés de promovê-lo. O "Manifesto contra a descriminalização das drogas", divulgado esta semana e assinado por políticos, entidades médicas e religiosas é _ independente da intenção de seus autores _ uma peça em favor da interdição do debate e em nenhum momento um convite à reflexão.

Ele faz muitas afirmações, mas não indica uma só referência.

Diz, por exemplo, que a experiência de Portugal _ que descriminalizou a posse de drogas em 2001 _ é um fracasso. Talvez seja. Mas aquele que é, possivelmente, o mais amplo estudo sobre esta experiência, o Relatório do Cato Institute, dos EUA _ Drug Decriminalization in Portugal: Lessons for Creating Fair and Successful Drug Policies, disponível em http://migre.me/a41Z3, sustenta precisamente o contrário. Em 2001, a direita portuguesa afirmava que a descriminalização iria abrir as portas para o "narcoturismo" e que o consumo aumentaria (na linha do que dizem hoje, por exemplo, sábios como Reynaldo Azevedo). O relatório Cato revelou que, nos primeiros cinco anos após a descriminalização, o uso de drogas ilícitas entre adolescentes em Portugal diminuiu, as taxas de infecções por HIV causadas por compartilhamento de seringas caíram, enquanto o número de pessoas em tratamento para dependência mais do que duplicou. Neste ponto, o Manifesto critica Portugal por ter mais dependentes em tratamento do que os demais países europeus, sem se dar conta de que, quando não há o crime de uso de drogas, os usuários se aproximam muito mais do sistema de saúde. Aliás, os recursos poupados com as sanções aos usuários em Portugal permitiram financiar mais programas de tratamento aos dependentes. O que _ segundo matéria de Maia Szalavitz na Time Science _ Drugs in Portugal: Did Decriminalization Work?, disponível em http://migre.me/a41Ho - foi reconhecido pelo "Czar das drogas" em Portugal, João Castel-Branco Goulão, presidente do Instituto da Droga e Dependência Química, para quem "a polícia está agora em condições de focar suas ações no monitoramento de traficantes".

O Manifesto afirma, também, que "boa parte" (sic) dos acidentes no trânsito é produzida por pessoas "sob o efeito de maconha, cocaína" etc. Novamente, não há referência e nem ficamos sabendo o quanto é uma "boa parte". Uau! E eu que achava que a esmagadora maioria dos acidentes era causada por motoristas alcoolizados. Este deve ser o meu problema: por ingenuidade, sigo achando que o álcool é problema mais sério do que todas as drogas ilegais juntas e que deveríamos já, há muito, ter proibido a propaganda de bebidas alcoólicas no Brasil. Bem, mas para uma medida simples assim, talvez nos faltem senadores e deputados e sobrem financiadores de campanha.

* Jornalista

sábado, 28 de julho de 2012

Dinheiro por nada

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Paul Krugman

Há anos, pessoas supostamente sérias vêm lançando alertas sombrios sobre as consequências de grandes deficit orçamentários - deficit que resultam primordialmente da crise econômica corrente. Em maio de 2009, Niall Ferguson, de Harvard, declarou que "o maremoto da emissão de dívidas" causaria disparada nas taxas de juros norte-americanas. Em março de 2011, Erskine Bowles, co-presidente da malfadada comissão do deficit criada pelo presidente Barack Obama, alertou que a menos que houvesse ação rápida contra o deficit, "os mercados nos devastarão", provavelmente em menos de dois anos. E assim por diante.

Bem, creio que ainda restem alguns meses no prazo de Bowles. Mas algo de estranho aconteceu no caminho para a crise fiscal que tantos previram: os custos de captação dos Estados Unidos caíram ao seu nível mais baixo na História. E isso não acontece só nos Estados Unidos. A esta altura, todos os países avançados capazes de captar recursos em moeda própria vêm obtendo empréstimos a custo muito baixo.

O fato de que os deficit não tenham produzido a alta prevista nas taxas de juros está nos dizendo algo de importante sobre a natureza de nossos problemas econômicos (e a sabedoria, ou falta de, daqueles que se apontaram como protetores de nossas virtudes fiscais). Antes que eu trate desse assunto, porém, vamos discutir os custos de captação baixíssimos - tão baixos que, em certos casos, os investidores na verdade estão pagando aos governos pelo depósito de seu dinheiro.

Em termos gerais, isso vem acontecendo com "títulos protegidos contra a inflação" - papéis cujo pagamento futuro está vinculado ao índice de preços ao consumidor, e portanto fazem com que o investidor não precise temer erosão de seu capital pela inflação. Mesmo com essa proteção, os investidores costumavam exigir pagamento substancialmente mais alto. Antes da crise, as notas de 10 anos norte-americanas protegidas por correção monetária pagavam cerca de 2% anuais de juros. Recentemente, porém, a taxa desses títulos vem sendo de 0,6% negativo. Os investidores estão dispostos a pagar mais por esses papéis do que o total corrigido pela inflação que virão a receber quando o governo liquidar o principal e os juros.

Ou seja, na prática os investidores estão oferecendo dinheiro de graça aos governos pelos próximos 10 anos; na realidade, estão dispostos a pagar uma taxa modesta aos governos para que protejam seu dinheiro.

As pessoas que têm interesse velado em promover o medo de uma crise fiscal fizeram diversas tentativas para explicar por que a crise não se concretizou. Uma das preferidas é a alegação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) vem mantendo os juros artificialmente baixos ao adquirir títulos do governo. Mas essa teoria foi submetida a teste na metade do ano passado, quando o Fed suspendeu temporariamente suas compras de títulos públicos. Muita gente -incluindo Bill Gross, do grande fundo de investimento em títulos Pimco- previa uma disparada nos juros. Nada aconteceu.

Oh, e não prestem atenção aos alertas de que um dia desses nos transformaremos na Grécia. Países como a Grécia ou a Espanha estão sofrendo as consequências da decisão irresponsável de trocar suas moedas nacionais pelo euro, que os torna vulneráveis de uma maneira que não se aplica de modo algum aos Estados Unidos.

Assim, o que está acontecendo? A principal resposta é que isso é o que transcorre quando você passa por um "choque de redução de dívidas", quando todo mundo corre para tentar reduzir seu endividamento ao mesmo tempo. O uso domiciliar de crédito despencou, as empresas acumularam reservas de caixa porque não há motivo para expandir produção na ausência de vendas, e o resultado é que os investidores estão prontos mas não têm o que fazer com seu dinheiro. Por isso, estão comprando títulos do governo mesmo que os retornos sejam muito baixos, dada a falta de alternativas. Além disso, ao oferecer dinheiro por juros tão baixos, estão na prática implorando para que os governos emitam mais títulos de dívida.

E os governos deveriam atender a esses pedidos, em lugar de se sentirem obcecados quanto ao deficit em curto prazo.

Ressalva obrigatória: sim, temos um problema orçamentário de longo prazo, e deveríamos começar a resolvê-lo agora, principalmente pela contenção dos custos da saúde. Mas é uma loucura demitir professores e cancelar projetos de infraestrutura em um momento no qual os investidores estão oferecendo dinheiro a juro zero ou negativo.

Não é nem mesmo preciso oferecer o argumento keynesiano quanto à criação de empregos para perceber o fato. A única coisa necessária é perceber que, quando o dinheiro está barato, é um bom momento para investir. E tanto educação quanto infraestrutura representam investimento no futuro dos Estados Unidos; terminaremos por pagar um preço alto, e completamente desnecessário, pelos danos que estamos causando aos dois setores agora.

Isso posto, o argumento keynesiano também é fato. A experiência dos últimos anos - acima de tudo, o espetacular fracasso das políticas de austeridade na Europa - foi demonstração dramática do ponto básico de Keynes: em uma economia deprimida, cortar gastos causa ainda mais depressão.

Portanto, é hora de ignorar os supostos sábios que sequestraram o debate sobre política econômica e atribuem ao deficit o papel central na discussão. Eles estão errados sobre absolutamente tudo - e agora até mesmo os mercados financeiros nos dizem que deveríamos nos concentrar no crescimento e criação de empregos.
Tradução de Paulo Migliacci
 
Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia (2008) e professor na Universidade Princeton (EUA). Um dos mais renomados economistas da atualidade, é autor ou editor de 20 livros e tem mais de 200 artigos científicos publicados.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Coca-Cola será expulsa no solstício de verão

Isla del Sol
Em uma decisão de causar espanto na mídia capitalista, o governo socialista do presidente Evo Morales acaba de expulsar a Coca-Cola da Bolívia. A decisão precisará ser cumprida até o dia 21 de Dezembro deste ano. Segundo o ministro do Exterior boliviano, David Choquehuanca, esta determinação está “em sintonia com o fim do calendário Maia” e será parte dos festejos para celebrar o fim do capitalismo e o início de “uma cultura da vida”. A festa ocorrerá no fim do dia, no solstício de verão (no Hemisfério Sul), na Ilha do Sol, situada no Lago Titicaca.

– O dia 21 de Dezembro de 2012 marca o fim do egoísmo, da divisão. O 21 de Dezembro tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche (refresco de durazno, um refrigerante muito popular no país). Os planetas se alinham após 26 mil anos. É o fim do capitalismo e o início do comunitarismo – disse Choquehuanca, em um ato ao qual compareceu o presidente do país.

A medida, que atrai os holofotes da mídia para o governo boliviano, reforça a determinação de Evo Morales no reforço a um Estado socialista. Ele tem recebido várias críticas de seus eleitores por agir “devagar demais”, segundo as críticas, em determinar o fim do capitalismo naquela nação andina. A medida também visa melhorar a saúde da população. A Coca-Cola, assim com a maioria dos refrigerantes industrializados, contem substâncias comprovadamente nocivas ao corpo e cujo consumo constante se associa a infartos cardíacos e derrames cerebrais.

CdB

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Atletas olímpicos argentinos aparecem em campanha para identificar filhos de desaparecidos



Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

Atletas argentinos que disputarão os Jogos Olímpicos de Londres participam de uma campanha da entidade de defesa de direitos humanos Avós da Praça de Maio que busca identificar filhos de desaparecidos políticos durante o regime militar no país (1976-1983).

A entidade estima que mais de 500 bebês tiveram a identidade trocada naquele período, após terem sido sequestrados pelos militares. Segundo dados da ONG, 105 pessoas já tiveram sua verdadeira identidade "restituída".

Cinco atletas argentinos gravaram os spots de televisão e as mensagens de rádio pouco antes de embarcar para Londres, segundo disseram à BBC Brasil assessores da entidade com sede em Buenos Aires.

Na mensagem, os atletas falam, de forma didática, sobre o que ocorreu no país: "Queria te contar que houve uma ditadura na Argentina que roubou centenas de bebês. Hoje já são adultos. Mas cerca de 400 pessoas ainda não conhecem suas verdadeiras identidades. Se você conhece alguém que possa ser filho de desaparecido ou se você tem dúvidas sobre sua própria identidade, procure as Avós da Praça de Maio. Estamos te esperando", dizem.

Campanha

A campanha, chamada de "Los Olimpicos com las Abuelas"(Os atletas olímpicos com as avós), começou a ser veiculada esta semana e continuará no ar até o fim do Jogos, em agosto.

Os atletas que gravaram a campanha são o técnico das "Leonas" (como é conhecido o time feminino de hóquei), Carlos Retegui, o lançador de dardo Braian Toledo, o jogador da seleção de vôlei Facundo Conte, a judoca Paula Pareto e o velejador Julio Alsogaray.

Pareto, Conte e Toledo nasceram nas décadas de 80 e de 90, quando a Argentina já vivia em democracia.

Não é a primeira vez que as Avós da Praça de Maio envolvem esportistas em suas campanhas para localizar os filhos de desparecidos políticos.

Em diferentes ocasiões, em partidas decisivas, jogadores de futebol entraram em campo com uma faixa que dizia: "Vos sabes quién sos?" ("Você sabe quem é? Procure as Avós da Praça de Maio").

A entidade possui um banco de dados que permite a identificação biológica de filhos de desaparecidos políticos.

Para as Avós, que são mães de desaparecidos e que também procuram os netos, os sequestros eram planejados e ocorriam, muitas vezes, logo após o nascimentos dos bebês em pleno cativeiro.

A MALDIÇÃO DA ABUNDÂNCIA

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Boaventura de Sousa Santos

A “maldição da abundância” é uma expressão usada para caracterizar os riscos que correm os países pobres onde se descobrem recursos naturais objeto de cobiça internacional. A promessa de abundância decorrente do imenso valor comercial dos recursos e dos investimentos necessários para o concretizar é tão convincente que passa a condicionar o padrão de desenvolvimento económico, social, político e cultural.

Os riscos desse condicionamento são, entre outros: crescimento do PIB em vez de desenvolvimento social; corrupção generalizada da classe política que, para defender os seus interesses privados, se torna crescentemente autoritária para se poder manter no poder, agora visto como fonte de acumulação primitiva de capital; aumento em vez de redução da pobreza; polarização crescente entre uma pequena minoria super-rica e uma imensa maioria de indigentes; destruição ambiental e sacrifícios incontáveis às populações onde se encontram os recursos em nome de um “progresso” que estas nunca conhecerão; criação de uma cultura consumista que é praticada apenas por uma pequena minoria urbana mas imposta como ideologia a toda a sociedade; supressão do pensamento e das práticas dissidentes da sociedade civil sob o pretexto de serem obstáculos ao desenvolvimento e profetas da desgraça. Em suma, os riscos são que, no final do ciclo da orgia dos recursos, o país esteja mais pobre econômica, social, política e culturalmente do que no seu início. Nisto consiste a maldição da abundância.

Depois das investigações que conduzi em Moçambique entre 1997 e 2003 visitei o país várias vezes. Da visita que acabo de fazer colho uma dupla impressão que a minha solidariedade com o povo moçambicano transforma em dupla inquietação. A primeira tem precisamente a ver com a orgia dos recursos naturais. As sucessivas descobertas (algumas antigas) de carvão (Moçambique é já o sexto maior produtor de carvão a nível mundial), gás natural, ferro, níquel, talvez petróleo anunciam um El Dorado de rendas extrativistas que podem ter um impacto no país semelhante ao que teve a independência. Fala-se numa segunda independência. Estarão os moçambicanos preparados para fugir à maldição da abundância? Duvido.

As grandes multinacionais, algumas bem conhecidas dos latino-americanos, como a Rio Tinto e a brasileira Vale do Rio Doce (Vale Moçambique) exercem as suas atividades com muito pouca regulação estatal, celebram contratos que lhe permitem o saque das riquezas moçambicanas com mínimas contribuições para o orçamento de estado (em 2010 a contribuição foi de 0,04%), violam impunemente os direitos humanos das populações onde existem recursos, procedendo ao seu reassentamento (por vezes mais de um num prazo de poucos anos) em condições indignas, com o desrespeito dos lugares sagrados, dos cemitérios, dos ecossistemas que têm organizado a sua vida desde há dezenas ou centenas de anos.

Sempre que as populações protestam são brutalmente reprimidas pelas forças policiais e militares. A Vale é hoje um alvo central das organizações ecológicas e de direitos humanos pela sua arrogância neo-colonial e pelas cumplicidades que estabeleceu com o governo. Tais cumplicidades assentam por vezes em perigosos conflitos de interesses, entre os interesses do país governado pelo Presidente Guebuza e os interesses das empresas do empresário Guebuza donde podem resultar graves violações dos direitos humanos como quando o ativista ambiental Jeremias Vunjane, que levava consigo para a Conferência da ONU, Rio+20, denúncias dos atropelos da Vale, foi arbitrariamente impedido de entrar no Brasil e deportado (e só regressou depois de muita pressão internacional), ou quando, às organizações sociais é pedida uma autorização do governo para visitar as populações reassentadas como se estas vivessem sob a alçada de um agente soberano estrangeiro.

São muitos os indícios de que as promessas dos recursos começam a corromper a classe política de alto a baixo e os conflitos no seio desta são entre os que “já comeram “ e os que “querem também comer”. Não é de esperar que nestas condições, os moçambicanos no seu conjunto beneficiem dos recursos. Pelo contrário, pode estar em curso a angolanização de Moçambique. Não será um processo linear porque Moçambique é muito diferente de Angola: a liberdade de imprensa é incomparavelmente superior; a sociedade civil está mais organizada; os novos-ricos têm medo da ostentação porque ela zurzida semanalmente na imprensa e também pelo medo dos sequestros; o sistema judicial, apesar de tudo, é mais independente para atuar; há uma massa crítica de acadêmicos moçambicanos credenciados internacionalmente capazes de fazer análises sérias que mostram que “o rei vai nu”.

A segunda impressão/inquietação, relacionada com a anterior, consiste em verificar que o impulso para a transição democrática que observara em estadias anteriores parece estancado ou estagnado. A legitimidade revolucionária da Frelimo sobrepõe-se cada vez mais à sua legitimidade democrática (que tem vindo a diminuir em recentes atos eleitorais) com a agravante de estar agora a ser usada para fins bem pouco revolucionários; a partidarização do aparelho de estado aumenta em vez de diminuir; a vigilância sobre a sociedade civil aperta-se sempre que nela se suspeita dissidência; a célula do partido continua a interferir com a liberdade acadêmica do ensino e investigação universitários; mesmo dentro da Frelimo, e, portanto, num contexto controlado, a discussão política é vista como distração ou obstáculo ante os benefícios indiscutidos e indiscutíveis do “desenvolvimento”. Um autoritarismo insidioso disfarçado de empreendorismo e de aversão à política (“não te metas em problemas”) germina na sociedade como erva daninha.

Ao partir de Moçambique, uma frase do grande escritor moçambicano Eduardo White cravou-se em mim e em mim ficou: “nós que não mudamos de medo por termos medo de o mudar” (Savana, 20-7-2012). Uma frase talvez tão válida para a sociedade moçambicana como para a sociedade portuguesa e para tantas outras acorrentadas às regras de um capitalismo global sem regras.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

terça-feira, 24 de julho de 2012

Fábula: EL GATO Y EL PAJARITO

Trabalho de Michael Bridges: "Observador de Pássaros".

Thomas Moro Simpson · · · · ·  
 
Un pajarito y un gato,
sobre una rama florida,
dejando pasar la vida
conversan desde hace rato.


Dice el gato con pesar:
“¿Cómo saldré yo de aquí?
“Es triste seguir así,
y no sé cómo bajar.”


“Es que sos muy indeciso”,
terció el ave con desdén;
“Si movés las alas bien
llegarás muy pronto al piso”.


El gato maulló, perplejo:
“no tengo alas”, respondió.
El pajarito calló
y luego le dió un consejo:


“Con tu enfoque negativo
¿adónde vas a parar?
¡Tenés miedo de volar!
¡Te creí más constructivo!”


“Vuela el que quiere –añadió-,
y perdoname que insista:
¡Vos sí que sos derrotista!
¡Mirá cómo vuelo yo!”


Thomas Moro Simpson (Buenos Aires, 1929) es el filósofo argentino más importante y creativo de su generación.

sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores. Si le ha interesado este artículo, considere la posibilidad de contribuir al desarrollo de este proyecto político-cultural realizando una DONACIÓN o haciendo una SUSCRIPCIÓNa la REVISTA SEMESTRAL impresa.

O lado mais sinistro do sistema bancário

Fonte da imagem AQUI.

Flávio Aguiar

De crise em crise, de susto em susto, de revelação em revelação, vem à tona dia após dia o lado mais sinistro do sistema bancário internacional.

Desde 2008, em que pese o esforço midiático de concentrar fogo e visões em torno das “crises das dívidas soberanas”, foi ficando evidente o quanto a desregulamentação do sistema financeiro internacional custou aos cofres públicos das nações – daquelas em crise aberta (como a Grécia) e daquelas que aparentemente sobrenadam no dilúvio (caso da Alemanha). Naquelas, sonhos coletivos e individuais se transformam em pesadelos, enquanto direitos individuais e coletivos se desmancham no ar ou às custas de cassetadas ou bombas de gás lacrimogênio nas ruas.

Bilhões de euros são arrancados do poder aquisitivo da população para impor uma “austeridade fiscal” recessiva, depressora, depressiva e deprimento enquanto continua o engorde das taxas de juro extorsivas cobradas para refinanciar a dívida pública, que certamente não serão pagas por nenhum sistema bancário ou financeiro, mas novamente pelas camadas mais frágeis da população, às custas de arcarem com mais pesadelos. Nas que guardam algum resíduo de organização e prosperidade – como a Alemanha – bilhões de euros foram e são transferidos para bancos, oriundos de fundos públicos, quer dizer, também do bolso de contribuintes e trabalhadores, para cobrir contas abertas nacionais e internacionais.

Mas nos últimos dias mais lados sinistros – e mais sinistros – vieram à tona. Semanas atrás foi o caso da manipulação da taxa Libor da banca britânica, promovida pelos representantes do banco Barclays na Associação de Bancos de Londres para favorecer a obtenção e/ou a manutenção de clientes investidores. O banco manipulava seus dados e induzia a manipulação da Libor por parte das autoridades financeiras londrinas para baixo, para parecer mais saudável do que era, a fim de manter clientes; ou inchava a taxa para prometer melhor remuneração para atrair clientes em épocas de escassez. E as autoridades – inclusive do Banco da Inglaterra engoliam as pílulas – isso, pelo menos, de 2007 a 2010. Os prejuízos são incalculáveis, uma vez que a taxa Libor, além de incidir pobre empréstimos entre bancos britânicos, era uma referência mundial no setor.

Agora foi a vez do HSBC. Uma investigação de mais de ano, feita pelo Senado norte-americano, concluiu insofismavelmente que a seção norte-americana do banco lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de narcotráfico de 2002 a 2009, apesar dele ter sido advertido por agentes do fisco e até por investigações internas de seus próprios funcionários.

Na terça-feira isso redundou numa sessão humilhante para altos executivos do banco, que renunciaram a seus cargos numa sessão pública do comitê do Senado, embora negassem ter “conhecimento completo” das contravenções. Já antes houve uma espécie de “mea culpa” por parte do banco perante um comitê semelhante de autoridades britânicas do setor financeiro.

Além disso, o banco (sempre a seção norte-americana) foi acusado por uma série de outras contravenções, indo desde negócios ocultos com finanças sírias e iranianas, à prestação de serviços para instituições financeiras da Arábia Saudita e de Bangladesh suspeitas de terem financiado em parte a Al Qaeda.

O Barclays já pagou 450 milhões de libras em indenizações a clientes que se julgaram lesados. O Serviço da Autoridade Financeira de Londres vai ser extinto e substituído por outra agência, além de parte de suas atribuições passarem para o Banco da Inglaterra. O HSBC promete uma revisão de seu sistema interno de segurança.

A ver, para crer.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

AS ELITES DO BRASIL E OS PARAÍSOS FISCAIS


Um estudo inédito, que, pela primeira vez, chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais. Henry estima que, desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo. Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como o México, a Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou ao jornal da BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, para enviarem seus recursos ao exterior. “Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros”, afirma.

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais. “As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos”, observa Christensen. “No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”.

Chistensen diz ainda que no caso do México, da Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”. O diretor da Tax Justice Network destaca que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.

O ENIGMA ARGENTINO


Emir Sader


A direita brasileira nunca entendeu a Argentina, nem quer entender. O parentesco político do peronismo com o getulismo foi um obstáculo fundamental para que pudesse entender o significado daquele fenômeno. Ao contrário, os preconceitos em relação ao peronismo contribuíram para incompreensões em relação ao próprio Brasil.

As histórias dos dois países são mais ou menos paralelas: a industrialização periférica, a hegemonia do nacionalismo no movimento popular, o peronismo e o getulismo, os golpes militares, a redemocratização, o neoliberalismo, governos progressistas neste século. As diferenças vieram do esgotamento do getulismo com o golpe militar de 1964.

As alianças de Getúlio com Peron e, atualmente, de Lula e da Dilma com os Kirchner, fortaleceram a diabolização da Argentina. FHC chegou a dizer que o governo do PT era “um subperonismo”, com todo o pejorativo que o peronismo assumiu na “ ciência política” brasileira.

A mídia daqui só acumula análises negativas e denúncias sobre o governo argentino, sempre como se o país estivesse à beira de um caos e como se o governo dos Kirchner fosse uma aberração. Por isso não conseguem entender e passar para seus leitores, ouvintes e telespectadores, enfoques que possam tornar inteligível que Cristina tenha se reeleito com grande facilidade e a oposição se reduza a uma dezena de grupos fragmentados e sem apoio popular.

As ambiguidades do peronismo favorecem as confusões sobre ele. Peronista foi o governo da Isabel Peron, que deu toda a cobertura para as ações da Triple A e preparou o campo para a ditadura. Assim como peronista foi Carlos Menem, que introduzia uma versão radical do neoliberalismo na Argentina.

Mas são peronistas – mesmo tendo aderido ao menemismo nos anos 90 – os governos de Nestor e de Cristina Kirchner, integrados ao posneoiberalismo latino-americano. Recuperaram a economia argentina do pior desastre da sua história – a implosão da política de paridade entre o dólar e o peso, implementada por Menem e mantida por De la Rua -, fortaleceram a integração regional, recompõem a capacidade econômica do Estado argentino e desenvolvem criadoras formas de políticas sociais.


Nota do Blog:

Para entender Perón e o Peronismo sugiro a leitura de dois livros: O Romance de Perón e Santa Evita, ambos de Tomáz Eloy Martínez.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A ESPANHA AFUNDA

Fonte da imagem AQUI.

Por Rodrigo Fresán
Desde Barcelona, para Página/12

UNO A seis meses del esperpéntico naufragio del Costa Concordia (el colosal crucero todavía está ahí, escorado, junto a la isla de Giglio, como escenografía perfecta para película post-apocalíptica) y en medio de una tormenta (solar) perfecta, el jefe de Gobierno español Mariano Rajoy, quien se creía insumergible y titánico, chocó contra el iceberg de su descontento. Y –tocado y hundido– se fue hasta el fondo. Un fondo donde no aguarda un tesoro sino, apenas, el Fondo Monetario Internacional y sus coleguitas piratas, siempre listos para salir a la caza de los restos y despojos que suben a la superficie. Rodríguez –como millones de españoles atrapados en las cubiertas inferiores, hambrientos de pan y con abstinencia de circo, flotando entre la Eurocopa que fue y las Olimpíadas que serán– lo vio por televisión. 11 de junio. Miércoles; a pesar de que Rajoy ya advirtió de que los viernes serían, de aquí y hasta el fin del mundo, el día elegido para que él descienda del Monte Bruselas con las Tablas de las Nuevas Leyes y nosotros corramos a hacer los espinosos mandados que ordenan las llamas de este incendio. Pero, claro, este viernes caía 13, así que lo mejor era no arrojar más carbón a las calderas del cada vez más oscuro humor negro. Y la hoja de ruta y el curso de navegación ya venía complicado. La borrasca estalló el mismo lunes, cuando se formalizó con datos el pedido de ayuda, rescate, intervención suave, tutela, S.O.S. o lo que sea. El ministro de Economía, por supuesto, insistió con eso de que nadie había impuesto una condición (y no mentía, porque impusieron treinta y dos condiciones) y no al abordaje sino a ser abordados. Y todo empezaba a hacer agua. Las encuestas –como mensajes en botellas– decían que dos de cada tres españoles creen que nada de lo que se está haciendo desde Moncloa servirá para algo. Es decir: dos terceras partes de la población no cree. En nada. Y –destierro a la vista– cada vez se ve más gente en la calle, hablando sola, sin el móvil en la mano y como inmóviles, aislados bajo una solitaria palmera, sin bronceador que los proteja de los rayos ni pararrayos que los salve de los relámpagos.

DOS El miércoles, Rajoy leyó la cartilla en el Congreso. Y era una cartilla larga. Parecía, más bien, un acta de defunción política. O un parte del naufragio de sus recetas. Porque allí, delante de todos, Rajoy se iba a pique mientras, mareado, contemplaba el ascenso inexorable de la marea de una reforma deformante barriendo el castillo de arena de su programa de gobierno. De aquí en más, Rajoy es un capitán sin puerto relevado de sus funciones por un almirantazgo en tierra apenas más firme que la suya. “No podemos elegir. No tenemos esa libertad”, finalmente advirtió –degradado y aferrado al poco obediente puente de mando del hemiciclo de miércoles– el hasta entonces supuesto Gran Presionador Rajoy. Y allí, en vivo y en directo, Rajoy ponía en funcionamiento los motores del mayor recorte en toda la historia de la democracia (atrás quedó el récord del Capitán Zapatero aquel 12 de mayo del 2011) y enumeraba, una a una, restas de haberes y aumentos de deberes como si disparara cañones contra sí mismo. La bancada del PSOE y de la izquierda (que, como se sabe, no es lo mismo) lanzaba un “uuuy” con cada medida enunciada y la del PP aplaudía a su héroe (en señal de admiración por su valentía y compromiso, explicaron), mientras una de sus diputadas lanzaba un “¡Que se jodan!” (la cosa era con los socialistas y no con los desempleados, aclaró luego). Y todo era tan lamentable y tan triste que difícilmente James Cameron pagaría uno de sus batiscafos de luxe para contemplarlo. Pero Rodríguez sí lo vio y ya no podrá olvidarlo. La confirmación absoluta de que al mal tiempo planetario hay que sumarle, además, las malas caras una de las peores tripulaciones de oficiales que se recuerde. Ganas de atarse al mástil para que las sirenas te perforen los párpados. Cualquier cosa mejor que oír a esas autocomplacientes gaviotas graznando, a esos albatros de pésimo agüero que no hicieron nada en su momento, a ese Rajoy –con aire de Haddock sin Tintín– diciendo lindezas muy suyas del tipo “Yo soy el primero en estar haciendo lo que no me gusta” y “Las medidas que he tomado no son agradables cada una en particular y menos lo son todas juntas”.

Rodríguez compró el diario del jueves –un huracán tropical de gráficos, infografías, testimonios y diferentes tonalidades de rojo– para ver si así entendía algo. Y entendió todo.

Ahogados, fue el inapelable titular de El Periódico del viernes.

Y Rodríguez, con el agua al cuello, agitó los brazos y gritó “¡Wilson!”

TRES Para el viernes 13 todo estaba firmado y listo para trámite; el rey advirtió a los políticos de “que no se quede nadie fuera de la recuperación cuando ésta llegue”; el gobierno no dio cifras exactas (pero sí las publicó, en inglés, en una página para inversionistas de su site); la del “¡Que se jodan!” pidió una de esas disculpas que nunca parecen pedir perdón, y en las calles de España, los jodidos, los recortados y parados, los marineros con nudos en la garganta, encallados pero a los gritos, se amotinaban. Y eran reprimidos. Va a ser, sí, un largo y ardiente verano. Y en septiembre se activará la suba del IVA. Y lo poco que iba ya no volverá a ir, parece. La ministra de Empleo y Seguridad Social dijo que “saldremos adelante con dignidad y entereza, con determinación y sensibilidad”. Rodríguez no comprendió lo de “dignidad” y “sensibilidad” (ni González ni Aznar, con bonitos sueldos en la empresa privada, han tenido el gesto de renunciar a sus pagas como ex presidentes; no se ha tocado la “limosna” estatal a la Iglesia y las rebajas a la Casa Real han sido de risa); pero son tantas las cosas que Rodríguez ya no comprende. A Rodríguez sólo le queda comprender los chistes. Y reírse para no llorar –o reírse hasta las lágrimas– con esa foto retocada que muestra a Rajoy y a los suyos con salvavidas al cuello o con eso de “Si esto fuese un naufragio, es como si se salvara a las rocas en lugar de a los pasajeros”. Las rocas son los bancos. Y Rodríguez se sienta en una roca de la playa de la Barceloneta a leer su libro para las vacaciones en casa. Manual de supervivencia y de autoayuda. La nueva edición en español del Robinson Crusoe, de Daniel Defoe. Allí, Rodríguez se enteró de que a la versión de Julio Cortázar –que leyó en su adolescencia, cuando España era pura promesa y las portadas de Alianza eran tan buenas y bonitas– le faltaba el 30 por ciento del original. Ahora, este viernes 13, Rodríguez alcanza ese momento tremendo cuando Robinson, tras veinte años de soledad absoluta, descubre la pisada de Viernes en la orilla, y corre a esconderse en su bungalow, reconociendo que “nunca una liebre buscó cobijo ni se metió bajo tierra un zorro con tanto terror en su mente como yo en aquel refugio”.

Pues eso.

Y ahí al lado –donde termina una playa demasiado parecida a esa postal baldía que acaba de llegarnos de Marte– el acalambrante mar es siempre caldo de tiburones que parece que sonríen, pero que en realidad no hacen otra cosa que enseñar los dientes.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

PARADOXOS DO PODER



O concurso internacional de fotografia Prix Pictets anunciou os finalistas de sua quarta edição.
Entre os selecionados, que retrataram temas relacionados a "poder", estão fotógrafos de todo o mundo, que elaboraram séries que desafiam o espectador, tratando do poder da natureza, de potências internacionais e até mesmo de disputas de poder em diferentes grupos sociais.

Segundo os organizadores do concurso, o "poder abrange contradição e paradoxo na mesma medida". "As mesmas forças que resultam em desastres e desespero podem gerar esperança e renovação".

O vencedor, que receberá um premio de 100 mil francos suíços (cerca de R$ 207 mil), concedido pelo banco suíço Pictet & Cie, será anunciado no dia 9 de outubro, na renomada Saatchi Gallery, em Londres, onde as fotos dos finalistas serão expostas até 28 de outubro.

A seleção compila alguns dos trabalho dos 12 fotógrafos finalistas, provenientes de dez países, em quatro continentes: Argélia, Azerbaidjão, Bélgica, França, Holanda, África do Sul, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnã.

Veja as fotos AQUI.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O SUPLENTE DE DEMÓSTENES


Prestes a assumir o mandato de senador, caso o plenário do Senado confirme hoje a cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO), o suplente Wilder Pedro de Morais (Dem-GO) declarou apenas 15 de suas 24 empresas na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um dos empresários mais ricos de Goiás, ele foi o segundo maior doador da campanha de Demóstenes em 2010, com R$ 700 mil repassados por meio de duas de suas empreiteiras.

CP

terça-feira, 10 de julho de 2012

El bosón de Higgs, la “última” partícula

Fonte dessa imagem AQUI.


La física es una ciencia experimental: solo acepta como un hecho científico
aquello que es medible y reproducible experimentalmente. La historia de la
ciencia, sin embargo, ha denigrado la práctica experimental durante mucho
tiempo. Afortunadamente, esa tendencia ha sufrido un cambio desde los
años 1980 y hoy son numerosos los autores que se interesan en la práctica
científica, insistiendo en su autonomía y en su dinámica y lógica de
conocimiento propias1. Preguntas del tipo: ¿Cómo se desarrolla el trabajo
cotidiano de un investigador en física? ¿De qué manera se toman las
decisiones en los laboratorios de investigación? ¿Cómo se elige entre
diferentes líneas de investigación posibles? ¿Cómo se termina un
experimento? ¿Cuál es el proceso que lleva a grupos experimentales
compuestos de numerosos investigadores a anunciar un descubrimiento o, al
contrario, a detener el experimento y cambiar de proyecto? ¿En qué medida
se toman tales decisiones con base en criterios puramente científicos?...
pueden así encontrar respuesta a través de un análisis histórico-sociológico
de la práctica experimental.


Otros historiadores se han interesado más por cuestiones de carácter
epistemológico, intentando identificar las estrategias adoptadas por los
científicos para convencerse de la validez de sus resultados y poder
defenderlos ante sus iguales. ¿Cuál es, entonces, el proceso que lleva al
experimentador a interpretar sus resultados, a darles cierta validez y a
establecer un consenso en cuanto a su verdadera significación? Pregunta de
plena actualidad después del anuncio, el pasado 4 de julio, del
descubrimiento en el CERN de una nueva partícula.


Leia a íntegra AQUI.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

MACONHA & CERVEJA

Pequena ilha do Pacífico é ‘maior consumidora de maconha e cerveja’

Richard Knight
BBC News

Um pequeno grupo de ilhas do Pacífico com a população de uma cidade pequena foi considerado o país com o consumo mais alto de cerveja e maconha. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2012 da ONU, publicado em junho, diz que a nação com o nível mais alto de uso de maconha entre adultos é Palau.

O país diminuto que é parte da Micronésia, no oeste do oceano Pacífico, abriga somente 21 mil pessoas. Mas lá, um quarto dos adultos consome a substância. Os palauanos não só estão à frente de todo o mundo com o número, como lideram com uma margem expressiva. O segundo país da lista é a Itália, onde – segundo o relatório – cerca de 15% dos adultos usam a droga.

Se a ideia de que Palau é uma espécie de retiro hedonista soa familiar, pode ser porque a ilha já esteve no topo de uma tabela da Organização Mundial de Saúde em 2011, que examinava outro vício. De acordo com o relatório global sobre álcool e saúde da OMS, os palauanos bebem mais cerveja per capita do que qualquer outro país do mundo.

Dados intrigantes

Mas o que acontece com Palau? Vamos observar primeiro as estatísticas da bebida. O relatório da OMS foi publicado em 2011, mas contém dados de 2005.

Maiores consumidores de cerveja* 1º - Palau - 8,68 2º - República Tcheca - 8,51 3º - Seycheles - 7,15 4º - República da Irlanda - 7,04 5º - Lituânia - 5,60 • Litros consumidos per capita por pessoas de mais de 15 anos • Fonte: Relatório Global da OMS sobre álcool e saúde, 2011

Isso é importante porque, por alguma razão, os palauanos parecem ter bebido mais naquele ano. Em outros anos, eles caem algumas posições na tabela. Mas o mais importante é que, apesar de beberem muita cerveja, os habitantes de Palau não bebem muito mais de nada.

Quando se olha para o total de álcool consumido – ao invés de só cerveja – Palau cai para o 42º lugar de 188. Nessa lista, é a República Tcheca que tem a honra dúbia de estar no topo. Os dados da ONU de 2012 sobre Palau são ainda mais problemáticos do que os da OMS.

Maiores consumidores de maconha*

1º – Palau – 24,2%
2º – Itália – 14,6%
3º – Nova Zelândia – 14,6%
4º – Nigéria – 14,3%
5º – EUA – 14,1% • Prevalência de uso em percentual da população de 15 a 64 anos

• Fonte: Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, 2012


Os autores do relatório não conseguiram obter dados sobre adultos na pesquisa em Palau. Então eles usaram uma pesquisa sobre uso de maconha entre alunos da rede pública e extrapolaram estes resultados para estimar um dado sobre a população adulta.

Há somente uma escola pública em Palau, com 742 estudantes. Os autores da pesquisa calcularam que cerca de 60% dos 565 estudantes que responderam a pesquisa haviam usado maconha pelo menos uma vez e quase 40% disseram que haviam usado no mês anterior.

Para comparar, uma pesquisa semelhante com estudantes norte-americanos descobriu que 23% deles diziam ter usado maconha no mês anterior. Mas apesar de os números da escola palauana serem impressionantes, a amostra é realmente pequena e pouco representativa da população como um todo (espera-se que os adolescentes de Palau fumem mais maconha do que seus pais de meia-idade).

Margem de erro

O diretor do Ministério da Educação de Palau, Emery Wenty, simplesmente não acredita nos dados da ONU.

– Palau é uma ilha muito pequena. Se o uso de maconha é tão prevalente quanto diz a ONU, você veria e sentiria o cheiro em todos os lugares. Mas isso não acontece. Conhecemos quase todo mundo. É inconcebível que um quarto da população fume maconha – diz.

Wenty admite que o consumo da droga pode ser um problema na escola, mas diz que há cerca de 500 outros jovens em Palau estudando em escolas privadas – a maioria religiosas.

República de Palau 

Área: 508 km² de mais de 200 ilhas vulcânicas e de corais 
Capital: Melekeok 
Política: Tornou-se independente em 1994, depois de ser administrada pelos EUA 
Presidente: Johnson Toribiong 
Economia: Dependente do turismo e de ajuda financeira norte-americana.

Angela Me, uma estatística da ONU que trabalha no Relatório Mundial sobre Drogas, aceita algumas das críticas de Wenty. Há um problema especial, segundo ela, com a coleta de dados em populações muito pequenas, porque um pequeno número de pessoas mudando de comportamento pode provocar uma mudança drástica nas estatísticas.

No entanto, ela afirma que os dados o relatório, sejam quais forem suas deficiências, sugerem que há uma prevalência relativamente alta de uso de drogas em algumas nações insulares do Pacífico.

– Vamos ter uma reunião sobre as ilhas do Pacífico. Queremos coletar mais informação e reduzir a margem de erro – diz.

Talvez seja prudente esperar até que a ONU complete sua coleta de dados antes de concluir que a pequena Palau é realmente a capital mundial do consumo de cerveja e maconha.



quarta-feira, 4 de julho de 2012

A INDÚSTRIA DA GUERRA E O FUTURO DA HUMANIDADE

Fonte da imagem AQUI.

Vida no capitalismo, uma ideia fora do lugar?

Gilson Caroni Filho, para CdoB

Karl Marx escreveu que “o consumo militar”, no sentido propriamente econômico, é o mesmo que se uma nação jogasse na água uma parte do seu capital. Isso beneficiaria, sem dúvida, toda a humanidade. Mas aqui é necessário se debruçar sobre uma questão: pode o capitalismo, em sua configuração atual, sobreviver sem a corrida armamentista? Passada a Rio+ 20, cabe indagar se já há condições políticas para que a acumulação privada possa ser feita sem a concomitante destruição das forças produtivas, sem a reprodução de uma lógica perversa? Sem aprofundar esse debate, a ecologia política deixa lugar à falação protelatória e vazia.

Se, como diria Clemenceau, a guerra é muito séria para ser assunto exclusivo de militares, a preservação de nossos recursos naturais e de nosso meio ambiente é assunto tão essencial para a nossa sobrevivência e para a sobrevivência das instituições democráticas que não pode ser deixada ao arbítrio das elites políticas, da tecnocracia ou até mesmo de um grupo de ambientalistas iluminados. Não existe maior desastre ecológico do que a exploração econômica e as condições subumanas a que é submetida grande parte da população mundial.

Em 1982 – e lá se vão 30 anos – Pierre Trudeau, então primeiro-ministro do Canadá, durante uma conferência de imprensa às vésperas de uma reunião dos sete principais capitalistas, declarou: “Com o que gastamos em cerca de duas semanas com armamentos, poderíamos garantir alimentação e moradias a todo o mundo, durante um ano, inclusive aos países subdesenvolvidos.”

Para suprir as necessidades militares, despendem-se todos os anos de 700 a 750 milhões de barris de petróleo, o que é duas vezes mais do que consomem anualmente todos os países da África. Nos anos 1970, a Organização Mundial de Saúde (OMS) conseguiu liquidar a varíola no globo terrestre tendo gasto, em apenas uma década, US$ 83 milhões – importância que, à época dava pra comprar apenas um bombardeiro estratégico.

Estimativas da ONU, em 1982, calculavam que o desarmamento nuclear completo liberaria mais de 20 mil cientistas e técnicos nucleares no campo da energia atômica. Eles poderiam tomar parte dos programas nucleares pacíficos de países democráticos da periferia do Velho Mundo.

Segundo o investidor estadunidense R. Sayard, para liquidar o analfabetismo da população mundial, em 20 anos, seriam necessários apenas US$ 1,2 bilhões, soma inferior ao total das despesas militares em um só dia. Mas essa conta soa como sofisma a uma sociedade regida pela lei do valor.

Nos anos 1960, V. Leontiev, economista norte-americano, calculou que uma redução dos investimentos militares em US$ 8 bi liquidaria 254 mil postos de trabalho. Todavia, o investimento desse montante no setor civil criaria 542 mil novos empregos. Uma reorientação que reduzira em 288 mil o número de desempregados nos Estados Unidos. Que argumento sobra aos partidários da corrida armamentista, quando defendem o aumento de despesas em armas destrutivas como única alternativa para a solidez da economia?

É verdade que a militarização da economia da Alemanha Nazista acabou com o desemprego no país, mas será essa a única lição que a economia política estadunidense aprendeu? A morte, dependendo do valor agregado que ela contenha, é um grande negócio, um derivativo seguro e com rentabilidade assegurada?

Para aqueles que se situam no campo progressista do espaço político, a luta pela paz se integra organicamente na luta por um socialismo democrático. O momento é de resgatar a eco política das mãos da elite. Caso contrário, seremos obrigados a trocar o esperançoso “um outro mundo é possível” por um sombrio “nenhum mundo é viável”. Enquanto isso não cessa a produção de armas táticas e aumenta a produção de ogivas estratégicas. A ideia de um mundo desnuclearizado, proposta por Obama, continua, em tudo e por tudo,”uma ideia fora do lugar”.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.

A Fome e a Crise do Capitalismo

Obra de Käthe Kollwitz (1867 – 1945) - Veja mais AQUI.

Diante das revoltas dos famintos em Paris e Londres, no final do século 18, o pastor e economista inglês Robert Malthus desenvolveu a teoria segundo a qual a Terra, com seus recursos limitados, só seria capaz de alimentar um número limitado de pessoas. Caso a população humana ultrapassasse esse limite, ela sofreria redução, através de ondas de fome, pestes ou guerra.

Desde a Antiguidade, as revoltas causadas pela fome são um fenômeno recorrente. No ano 57 a.C., o estadista e filósofo Marco Túlio Cícero registrava os ferozes protestos em Roma devido ao aumento drástico do preço do pão. "Reinava uma inflação aguda e a fome ameaçava. E, como se não bastasse, ocorreram apedrejamentos."

Nos anos seguintes, depois de nada menos de oito grandes crises de fome em Roma, os imperadores adotaram medidas preventivas. Os cereais egípcios passaram a ser monopolizados, servindo principalmente ao abastecimento da Itália e da capital. Assim, os soberanos preveniram novos levantes e asseguraram seu poder político.

Cidade e campo


Ainda hoje, as elites estatais dos países em desenvolvimento procedem de forma semelhante, analisa Wolfgang Heinrich, especialista em agricultura do Serviço de Desenvolvimento da Igreja Luterana alemã (EED). "Os governos tendem a pacificar a zona urbana o máximo possível, através de preços subsidiados, subvenções à importação de trigo, etc. Isso absorve um volume relativamente grande de recursos. Nas zonas rurais, pelo contrário, os governos tendem a reagir aos levantes com métodos repressivos."

Esse fenômeno se manifestou pela primeira vez em escala global neste século durante a crise de alimentos de 2008. Na África, partes da Ásia e no Caribe aconteceram as chamadas "rebeliões da fome". Por vezes, elas abalaram os governos locais; por outras, foram utilizadas por certos grupos como arma política na luta interna pelo poder.

Joachim von Braun, diretor do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento (ZEF), em Bonn, comenta: "Segundo nossos estudos, durante a crise dos preços dos alimentos de 2008, houve mais de 50 casos de agitações e manifestações, que também acarretaram mudanças de regime. Foi uma experiência inédita."

Esses levantes assustaram os líderes políticos do mundo. Há alguns anos, o tema também é discutido dentro da ONU e do G20, "pois, na atual situação de preços altíssimos, o conflito continua – ainda que não em escala de massa, como foi o caso em 2008", explica Von Braun.

Eco Agência, via domtotal.com

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Río+20: sumisión al poder financiero

Fonte da Imagem AQUI.

Alejandro Nadal · · · · ·

La Conferencia de Naciones Unidas sobre Desarrollo Sustentable (CNSD), mejor conocida como Río+20, vino y se fue. Pudo haber sido un acto importante. En lugar de ello, estableció un nuevo estándar en cómo hacerse irrelevante. La receta es sencilla: pretenda usted que nunca ha oído hablar de la crisis global.

El documento final de la UNCSD no menciona ni una sola vez la crisis económica y financiera global. Poco importa que la crisis ya se ha convertido en la Segunda Gran Depresión. De alguna manera, los funcionarios del Programa de Naciones Unidas sobre Medio Ambiente (PNUMA) consideraron que ese tema no era relevante en una conferencia sobre sustentabilidad.

El PNUMA buscó sacar adelante su iniciativa sobre la economía verde. En el informe presentado en Río se le define como una economía en la que aumenta el bienestar, disminuye la pobreza y mejora el medio ambiente. Se trataría de una economía socialmente incluyente, con bajas emisiones de gases invernadero y gran eficiencia en el uso y manejo de recursos.

Para transitar hacia una economía verde se necesita invertir el 2 por ciento del PIB mundial (anualmente entre 2010-2050) en 10 sectores clave. Es una cantidad importante. ¿Dónde se pueden encontrar esos recursos? El PNUMA responde sin rubor: en el sector financiero. Según esta agencia el sector financiero tiene a su disposición una montaña de recursos y cada vez está más interesado en una cartera de inversiones que minimiza el costo ambiental y social, al mismo tiempo que capitaliza con tecnologías verdes.

La amistad del PNUMA con el sector financiero se confirma cuando se mencionan los mercados e instrumentos que ahora estarían del lado de la justicia y la salud ambiental: bonos verdes, bonos de carbono, REDD+, y activos de propiedad verde, etc. Ahí está: la financiarización de la naturaleza. Nunca se les ocurrió a los funcionarios del PNUMA que el desarrollo de estos mercados novedosos proviene de la búsqueda de espacios de rentabilidad en un mundo en el que la economía real permanece estancada.

El PNUMA en Río ha buscado tapar el sol con un dedo. Ha querido ignorar el hecho de que el sector financiero es el epicentro de la crisis global. El colapso de la economía mundial se mantiene en buena porque la opacidad de las operaciones financieras aceleró el contagio al principio y ahora impide reactivar el mercado interbancario.

Tiene razón el PNUMA: el sector financiero ha crecido mucho en los últimos veinte años. Pero ¿no se les ocurre que eso es precisamente un signo de la patología de la economía global? El estancamiento de los salarios desde hace tres décadas explica el creciente endeudamiento de las familias. La demanda agregada estuvo impulsada por el endeudamiento y eso, a su vez, explica cómo se llevó a cabo un proceso de redistribución de la riqueza de los más pobres a los más ricos. Instrumentos como las tarjetas de crédito, los préstamos para estudiantes o para automóviles fueron verdaderas aspiradoras para succionar recursos de los hogares y llevarlos a los bancos.

Uno de los factores que explica la expansión del sector financiero es su inclinación a introducir innovaciones que hicieron las operaciones del sector más opacas, disfrazaron riesgos, aumentaron la propensión a la volatilidad e incrementaron los niveles de apalancamiento. La bursatilización convirtió a muchas operaciones en zona vedada para los reguladores y agencias de supervisión. La autorregulación sólo proporcionó la ilusión de que se estaba haciendo algo para frenar abusos.

Un punto fundamental que el PNUMA no puede entender: una proporción significativa de la montaña de recursos en manos del sector financiero es riqueza contable. Proviene de un típico proceso de inflación de activos, o si se prefiere, de una burbuja. La crisis es la forma en la que se destruye ese patrimonio que sólo existe en la contabilidad. Para analistas como Nouriel Roubini o Dean Baker, al proceso deflacionario aún le falta mucho para completar su tarea.

Es más, una parte de esos recursos financieros proviene de las operaciones de creación monetaria de los bancos. Por ejemplo, con sus préstamos los bancos de la Unión Europea han creado billones (castellanos) de euros de la nada, o como dicen, ex nihilo. Y sólo una fracción minúscula de esos créditos estuvo respaldada por depósitos. El globo gigante todavía está desinflándose.

El PNUMA debería estudiar con seriedad la relación entre los sectores financiero y real de la economía. Los canales de transmisión entre estos sectores son críticos para el mantenimiento de la estabilidad macroeconómica. En nuestros tiempos las operaciones en el sector financiero han propagado y amplificado la turbulencia y han puesto de rodillas a la economía real. Caray, hasta una organización tan conservadora como el Comité de supervisión de bancos de Basilea (dependiente del Banco de pagos internacionales) se preocupa por estos temas. ¿Por qué los funcionarios del PNUMA no pueden hacer lo mismo?

Alejandro Nadal es miembro del Consejo Editorial de SinPermiso.

La Jornada, 26 junio 2012