DANCINHA

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

DETALHES DA PRIVATARIA TUCANA

Road Town, Capital das Ilhas Virgens Britânicas

Na mesma batida

Por Juremir Machado da Silva, para Correio do Povo

Não faz muito, quando as denúncias de um soldado obscuro levaram à queda o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o PC do B e amigos da base aliada do governo federal tentavam desqualificar o denunciante alegando que ele estava sendo processado por isto e aquilo. A oposição rebatia afirmando que é sempre assim que acontece. Bancava a irônica: queriam o quê? Que a denúncia partisse do arcebispo de Brasília? Agora, com a publicação de uma bomba sob a forma de livro, "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., a oposição defende-se alegando que não se pode confiar num sujeito que está sendo processado por isto e aquilo, sendo isto e aquilo tentar montar um dossiê contra José Serra durante a campanha de 2010. A base aliada, obviamente, responde com ironia: queriam o quê? Que o livro fosse escrito pelo arcebispo de Brasília? Política é assim: bateu, levou.

Alto nível. Uma das partes mais instrutivas e hilariantes do livro de Amaury Ribeiro é sobre nomes de empresas de fachada montadas para repatriar dinheiro sujo do exterior, no caso capital levado por doleiros para as Ilhas Virgens Britânicas. Verônica Serra, por exemplo, teria criado a Decidir, sediada em Buenos Aires, para faturar com o fabuloso mundo da Internet, tendo depois sido aberta uma subsidiária em Miami. Gente fina não abre empresa virtual na Marginal Tietê. Em determinado momento, Verônica publicou nota garantindo nada mais ter com a empresa. Amaury Ribeiro prova que a ligação persistiu. Só que a Decidir mudou de endereço. Foi parar nas incontornáveis e providenciais Ilhas Virgens Britânicas com o pomposo nome de Decidir International Limited. Que coisa! Estou louco para conhecer essas Virgens tão bicadas por tucanos. A Decidir International Limited injetou, conforme documento da Junta Comercial de São Paulo localizado por Amaury Ribeiro, R$ 10 milhões na Decidir Brasil em 2006. Por quê? Para trazer dinheiro de volta para casa. Dinheiro não suporta viver longe.

Mesmo assim, estranhamente, a Decidir Brasil das duas Verônica, que passou a se chamar Decidir.com.Brasil S.A, deu prejuízo. Por coincidência, o marido de Verônica Serra também tem uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, a IConexa Inc, que investe na brasileira IConexa Ltda. Todas essas empresas abrigam-se no mesmo endereço estrangeiro e no mesmo endereço paulistano. As transações da Iconexa Inc e da Iconexa Brasil Ltda. levam a assinatura de um mesmo homem, Alexandre Bourgeois. Como diz Amaury Ribeiro, ele cobra o escanteio, corre e faz o gol de cabeça. Vou parar de contar, o meu leitor que vá ler o livro para entender toda essa paixão pelas Ilhas Virgens Britânicas. Fernando Henrique Cardoso já disse que tudo isso é uma fábrica de calúnias e infâmias. Não é de se duvidar. Chatos são os documentos que parecem confirmar tudo o que é denunciado. Como ensinam alguns historiadores, não se pode confiar cegamente em documentos. É preciso saber interpretá-los. Sem dúvida.

Como sou um inocente, eu me pergunto todos os dias: por que mesmo o livro de Amaury Ribeiro não se tornou capa da revista Veja? Ou foi capa e eu perdi essa edição?

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

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