DANCINHA

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pedido de adesão do estado Palestino à ONU é legítimo, diz Parlamento Europeu

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Taíssa Stivanin
 
Em uma resolução adotada nesta quinta-feira, o Parlamento considerou que o pedido de adesão do estado Palestino à ONU é "legítimo." O comitê de adesão do Conselho de Segurança se reúne pela primeira vez nesta sexta-feira.

Para os deputados, a União Europeia deve apoiar a demanda do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Os parlamentares também pedem que o governo israelense interrompa as construções de novos assentamentos na Cisjordânia e no leste de Jerusalém. "O Parlamento Europeu reconhece a demanda legítima dos palestinos, para se tornar um estado-membro das Nações Unidas. Reafirmamos nosso engajamento favorável à solução dos dois estados, vivendo lado a lado, em paz e em segurança."

A União Europeia, até agora, não assumiu uma posição oficial em relação ao pedido de Abbas, mas a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton, fez um apelo para que isralenses e palestinos voltem à mesa de negociações, e aceitem a proposta do Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) para a retomada das negociações de paz.  O grupo sugere que o acordo final seja fechado no prazo de um ano e palestinos e israelenses definam um calendário de negociações. A proposta foi feita algumas horas depois do pedido de adesão do estado Palestino à ONU, protocolado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas no dia 23 de setembro.

Para retomar as as discussões, os palestinos exigem a moratória da construção dos assentamentos na Cisjordânia e no leste de Jerusalém, mas os israelenses continuam instransigentes em relação à questão. Prova disso é que, na quarta-feira, um novo projeto foi lançado pela prefeitura de Jerusalém que prevê a implantação de 1100 novas casas.

A iniciativa foi criticada pela União Europeia e os Estados Unidos, mas o premiê Benjamin Netanyahu afirmou, em entrevista ao jornal Jerusalém Post, que país manterá a política de colonização nos territórios ocupados, apesar da pressão internacional. Outra exigência dos palestinos é a delimitação de um novo estado com base nas fronteiras de 1967, antes da guerra dos seis dias, incluindo Jerusalém.

Diversos dirigentes israelenses são favoráveis à adoção do plano do Quarteto, incluindo representantes da extrema-direita no país, como o chanceler Avigdor Lieberman, líder do partido Israel Beiteinu. Para especialistas da região, trata-se de uma estratégia para mostrar que os isralenses estão abertos ao diálogo, e evitar que os palestinos obtenham os nove votos necessários no Conselho de Segurança da ONU. Desta forma, os EUA seriam obrigados a usar seu poder de veto. Os palestinos afirmam ter o apoio de oito países. O comitê de adesão do Conselho se reúne pela primeira vez nesta sexta-feira.

A questão também pode ser levada à Assembleia Geral da Organização. Neste caso, se obtiverem Dois terços dos votos, os palestinos poderiam adquirir um status similar ao do Vaticano, de estado não-observador.  Nesta quinta-feira, o Parlamento Europeu adotou uma resolução onde considera que o pedido feito pelos palestinos "é legítimo", e uma solução deve ser encontrada dentro de um ano.
RFI

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O 'tchador' da Rainha Isabel

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Esta semana, às mulheres de dois países muito diferentes - um, moderno e democrático, e outro, ainda na Idade Média - foi feita a mesma promessa de aproximação à igualdade.

A umas, a do fim de uma condição que, embora só interessando directamente a poucas, espanta pelo atraso ao já conseguido pelas suas concidadãs.

A outras, a promessa de uma pequenina reforma que por mudar um marasmo milenar só pode ter efeito de dique a rebentar. 

Desta última promessa já falei ontem: o Rei saudita revelou que as mulheres da Arábia Saudita vão poder eleger e ser eleitas nas únicas eleições permitidas no país, de pouca importância (municipais) mas com forte valor simbólico num país onde elas nem podem conduzir automóveis. 

Por uma coincidência extraordinária, ontem também, o Times de Londres anunciava que o Governo inglês vai propor a mudança de uma condição anacrónica, o fim da "primogenitura", que no costume inglês dá prioridade no direito de herança real ao filho varão. 

Se em vez da princesa Margarida a Rainha Isabel tivesse tido um irmão mais novo, era este que teria chegado ao trono... 

Ao que parece, a nova lei vai ser feita a correr antes que Kate engravide do príncipe William e, tendo uma filha (que não poderia beneficiar retroactivamente), complique a mudança desejada. 

Vinda de lugares tão opostos, Riade e Londres, a coincidência das notícias só sublinha que a igualdade não são favas contadas onde quer que seja. 

Ferreira Fernandes, para DN OPINIÃO

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Una breve fábula de la eurozona


Un banco, una pandilla de ministros y unos tratados sin valor.

Mike Whitney · · · · ·  

Pongamos que usted deseara construir un país nuevo, pero que ignorara todo acerca de las instituciones civiles, la burocracia o la historia. Lo que debería preocuparle sería tan solo crear un entorno que fuera bueno para los negocios, en donde el rigor presupuestario y los acuerdos comerciales fueran la ley de esta tierra.

Así que usted se gasta un montón de dinero en bombo publicitario de su Estado Idílico dirigido a políticos y al público en general, publicidad que proclama que su nueva creación será la vía rápida para la paz y la prosperidad. Para sorpresa de todos, tanto llegan a amar la idea que pasan por alto el fallo estructural que está en el corazón de este diseño, es a saber, que la confederación libre de estados carece de un gobierno central. La única cosa que mantiene a los países unidos es una moneda compartida además de restricciones presupuestarias. Eso es. Pero los peces gordos de las empresas y los magnates de la banca se encogen de hombros y no hacen caso del problema porque, bien, los gobiernos en realidad no hacen nada de todos modos, ¿no es cierto? Solamente entorpecen los grandes negocios.

Esa es la razón por la cual usted ideó un modelo totalmente diferente, un modelo que puso al Banco Central en el centro del universo, rodeado de un reguero de eurócratas (ministros de finanzas) que realizan sus dictados y cantan sus alabanzas.

Entonces, un día, un fuego surge en el perímetro y usted empieza a asustarse. Usted corre en círculos agitando las manos y rogando ayuda. Pero los otros líderes retroceden ante sus demandas porque están atados a sus distritos electorales y corren el riesgo de perder las elecciones si acceden a apagar el fuego que no empezaron. Después de todo, fueron estos “griegos haraganes” los que empezaron el incendio. ¡Que paguen por ello!

Así que ahora tenemos un serio problema. Eurotopia está siendo reducida a escombros y nadie puede ponerse de acuerdo en alguna solución. En todo momento usted sigue planteándose que “si pudiera conseguir que los ministros de finanzas apoyaran un fondo de emergencia mayor para que yo pudiera vaciarlo todo, apagaría el fuego pronto y volvería a ganar dinero.” Nunca se le pasa por el magín que su Estado-Frankenstein corporativo no dispone de precedentes históricos y está construido sobre una base de simple arena. Usted nunca piensa “quizás necesitamos un ejecutivo, un congresista, un juez, un mercado de bonos y funcionarios públicos para ejecutar nuestros planes.”

¡Quiá! No puede ser, porque el gobierno es malo. Los bancos son buenos, los gobiernos son malos, ¿no?

Y cuando usted saborea este bocado de sabiduría, su Eldoradoeurolandia se reduce a cenizas.
Los 17 miembros de la eurozona están inmersos en una espiral irreversible. Los bancos acumulan capital, la financiación del dólar se hace más apretada, los CDS campan cada vez más por las suyas, el programa de préstamo de emergencia del Banco Central europeo se dispara, y los medidores de stress del mercado hacen saltar todas las alarmas. Se trata de todos los síntomas de un gran cataclismo crediticio.

Ahora estos problemas se podría solucionar si hubiera un gobierno trabajando para extinguir el incendio. Pero no está. En su lugar hay un banco, una camarilla de ministros de finanzas y unos tratados sin valor alguno. Y ésta es la razón por la cual la eurozona está condenada al fracaso.

Y la moraleja es… que el gobierno importa.

Mike Whitney es un analista político independiente que vive en el estado de Washington y colabora regularmente con la revista norteamericana CounterPunch.

Traducción para www.sinpermiso.info: Daniel Raventós

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domingo, 25 de setembro de 2011

Tucanos e sua pesquisa sobre Dilma

Olho arregalado de tucano.

Num cantinho do site de O Globo há a menção de uma pesquisa encomendada pelo alto tucanato. Se os candidatos de 2010 fossem os mesmos, um pleito presidencial hoje daria à presidenta Dilma Rousseff condições de ser eleita, com folga, já no primeiro turno. Veja também a menciona, mas omite os números.

Voltando a esses mesmos tucanos – divididos e confusos, procurando se apegar e adotar uma bandeira que não têm autoridade para empunhar… A própria pesquisa sobre as intenções de voto de eleições presidenciais, caso se dessem hoje, explica o estado catatônico do PSDB e de toda oposição: Dilma teria 59% dos votos, José Serra apenas 25%. Também perderia votos a candidatura de Marina Silva (ex-PV), de 19,3% para 15%.

Outro dado revelador da pesquisa que tem como objetivo orientar o tucanato: para os entrevistados, o governo FHC ganha o primeiro lugar em matéria de tolerância com a corrupção. Recentemente, em levantamento realizado para o mesmo PSDB, verificou-se nada menos do que 67% aprovam o programa Bolsa Família. Estudos encomendados pelo partido têm dito o que já sabemos há muito tempo: o distanciamento do discurso do partido das expectativas da população.

CB

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bunga Bunga

Origem da foto: AQUI.

Novas denúncias revelam que strippers se fantasiavam de freiras nas festas Bunga Bunga


Dublê de bad boy geriátrico e premier italiano, Silvio Berlusconi agora pode adicionar também a blasfêmia à sua extensa lista de delitos, depois de revelado que strippers vestidas de freiras realizavam danças pagãs em suas festas Bunga Bunga. Aparentemente sem vergonha dos atos praticados, o político de 74 anos de idade disse que as meninas organizaram uma cerimônia na qual se vestiram em túnicas religiosas durante uma apresentação sexy para ele e seus convidados no seu palacete em Milão, chamado de Villa San Martino.

Em um comunicado distribuído à imprensa nesta quinta-feira, Fadile Imane, 26, Nicole Minetti, 25 e Faggioli Barbara, 25 anos, relatam como se vestiram de freiras antes de executar uma coreografia sexy na frente de Berlusconi. A marroquina Imane era uma convidada na festa e disse que tinha sido levada por Emilio Fede, de 80, e pelo agente do showbiz Lele Mora, de 55. Minetti, Fede e Mora supostamente recrutaram uma série de mulheres para fazer parte do entretenimento nas festas. Perca Imane é citada no tablóide britânico The Sun, dizendo:

– Eu fui para a festa e conheci Silvio Berlusconi e as outras meninas, e também houve Barbara Faggioli e Nicole Minetti. No salão de festas onde havia um palco para a dança, tivemos que colocar as túnicas escuras de freira, incluindo o lenço no cabelo e uma cruz vermelha. Havia até um DJ na hora do striptease e da dança sexy, em roupas íntimas.

Imane disse ter ficado “chocada” com o pedido, embora admita que tenha realizado “uma dança do ventre para Berlusconi”. Estranhamente, ela também revelou que ela havia aconselhado Berlusconi sobre a melhor forma de lidar com Muammar Gaddafi, ex-ditador líbio.

Berlusconi enfrenta acusações relativas à dançarina de boate Karima El Mahroug, de 17. A idade de consentimento é de 14 na Itália, mas pagar por sexo com alguém com menos de 18 anos é um crime. Berlusconi sempre negou qualquer coisa diferente de “jantares de convívio, vinho, comida, falando e cantando ‘nas festas Bunga Bunga”, frequentadas por Gaddafi. No entanto, ele está enfrentando julgamento no próximo mês por supostamente ter mantido relações sexuais com a então adolescente, dançarina do ventre Karima El Mahroug.

CB

Estudo mostra que cerveja hidrata igual à água após prática esportiva


Segundo análise, reação do corpo à ingestão de ambos os líquidos é semelhante


Um estudo apresentado nesta terça-feira, 20, em Bruxelas comprova que o consumo moderado de cerveja após exercícios físicos é tão eficaz quanto a água para a hidratação, segundo especialistas médicos.

Esta é uma das conclusões apresentadas no "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde", onde participaram especialistas em medicina, nutrição e alimentação da União Europeia.

O pesquisador Manuel Castillo, da Universidade de Granada, expôs os resultados de um estudo que consistiu em medir a reação do corpo à ingestão de água ou cerveja após a realização de esforço físico intenso. "Realizamos o estudo para comprovar se o costume de tomar cerveja depois do exercício era recomendável", explicou Castillo.

A conclusão foi de que uma quantidade moderada de cerveja "não prejudica a hidratação após o exercício". Tomar cerveja seria "a mesma coisa que tomar água", por isso é recomendado o consumo da bebida fermentada a todas as pessoas que não tenham nenhuma contraindicação.

"Não foi encontrado nenhum efeito negativo que pudesse ser atribuído à ingestão de cerveja em comparação com a ingestão de água", disse Castillo, que também afirmou que durante as conferências será apresentado outro estudo que descarta que exista "qualquer relação" entre o consumo da bebida e a tendência a desenvolver "barriga de chopp".

O médico Ramón Estruch, do Hospital Clínico de Barcelona, afirmou que os resultados dos estudos mostram que o consumo moderado de cerveja "ajuda na prevenção de acidentes cardiovasculares, graças aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios das artérias". Além disso, proporciona proteção contra fatores de risco cardiovascular, como diabetes, melhora a pressão arterial, regula o colesterol e previne a arterioesclerose, segundo a pesquisa.

Estruch informou que atualmente estão sendo feitas pesquisas para determinar se os benefícios da cerveja com álcool são maiores que os da cerveja "sem", embora haja indícios de que a primeira tem efeitos mais positivos. De qualquer forma, Estruch ressaltou a importância de "consumir a cerveja dentro de um padrão de alimentação saudável, preferencialmente a dieta mediterrânea".

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Complexos e perseguições

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Nesta sexta, os palestinos apresentarão à ONU o seu pedido de reconhecimento como Estado soberano. Estados Unidos e Israel não querem ouvir falar do assunto. Israel afirma que é inadmissível um procedimento assim, unilateral. Em artigo na Folha de S.Paulo, Ibrahim Alzeben, embaixador palestino no Brasil, entende que chegou o momento de a ONU "pôr fim a seis décadas de violência na Palestina histórica". Segundo ele, desde a Conferência de Madri, em 1991, deu-se a "quadruplicação do número de assentamentos e colonos em terras palestinas". Além disso, houve a "criação do muro da vergonha, assassinato de milhares de líderes e cidadãos, judaização de Jerusalém, capital ocupada do Estado da Palestina, bloqueio de Gaza e milhares de presos políticos". Um quadro terrível que parece pouco evoluir.

Rafael Eldad, embaixador de Israel no Brasil, garante que Israel não se opõe à criação de um Estado palestino: "O que Israel não vê de maneira positiva, além de ser perigosa para a região, é uma declaração prematura unilateral de um Estado palestino. Se buscam uma solução sem dialogar ou negociar, então com quem querem a paz?". O termo "prematuro" soa estranho aos ouvidos de boa parte dos países-membros da ONU. Alzeben põe a criança no colo das Nações Unidas: "É a ONU que deve agir, e agora, após 18 anos de negociações estéreis que consolidaram a ocupação israelense de nosso território". Eldad defende-se: "Israel, como único país no mundo ameaçado constante e abertamente em sua existência, tem a obrigação de tomar precauções para garantir a sua segurança e sua sobrevivência (...) Israel está ameaçado também pelo Irã, pelo Hamas, pelo Hezbollah e por tantos outros".

O jornalista brasileiro Clóvis Rossi, analista com distanciamento em relação ao conflito, afirma que "Israel revive o complexo de Masada, a fortaleza em que 960 judeus resistiram até a morte às hordas romanas, vitoriosas no ano 73. Complexo de Masada é um tema frequente no léxico político-diplomático de Israel, por designar a sensação de que o mundo inteiro está contra os judeus". Rossi cita Carlo Strenger, chefe do Departamento de Psicologia da Universidade de Tel Aviv, que, em texto no jornal Haaretz, aconselha Israel a sair do mito para uma "avaliação realista da realidade internacional". Rossi cita também Tzipi Livni, líder da oposição no parlamento, para quem o governo age como se "todos fossem contra nós" e "como se todo mundo fosse antissemita". Ela destaca o óbvio estrelado: Israel tem um grande amigo, os Estados Unidos da América. Mas o amigo estaria descrente nas promessas israelenses de aceitar dois Estados, "mas não faz nada para isso". Empurrar com a barriga já era.

As conclusões de Rossi são banalmente certeiras: "Nem os palestinos conseguirão jogar os judeus no mar, como muitos, de fato, gostariam, nem Israel vai conseguir empurrar os palestinos para a Jordânia". Resultado: só a ONU pode resolver a pendenga. Rossi dispara uma última boa citação, de Shlomo (outro) Ben Ami, ex-chanceler israelense: "Enquanto não terminar a ocupação, enquanto Israel não viver em fronteiras internacionalmente reconhecidas e os palestinos não recuperarem sua dignidade como nação, a existência do Estado judeu não estará assegurada". Dá para falar em demanda prematura?

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vinte anos nas capas da 'Veja'

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Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca com a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.

A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.

Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.

As capas de Veja

P.S. Alertado pelos leitores, corrijo um engano meu no slide 3. Falei que Veja errou ao considerar que uma inflação mensal de 42,9% daria uma taxa anualizada de 5500%. A conta deles está correta. Desculpem

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DANIEL PAZ & RUDY


- A ajuda do FMI nos gera interrogações.
- Por exemplo?
-Porque chamariam de "ajuda"?

Imagina un Lennon revolucionario

Oscar Martínez · · · · ·   



… ellos tenían algo que era artístico. (Yoko: "Muy sensible") Les dijimos: "Sois artistas, escribís libros, hacéis teatro, sois como artistas”. Y ellos dijeron: "Vosotros sois como revolucionarios".

John Lennon en una entrevista para tv

La participación en 1971 de John Lennon en un concierto a favor de la liberación del activista John Sinclair supuso que el ex-líder de los Beatles se convirtiera en el enemigo público número 1 de la administración Nixon. El concierto denunciaba dos incongruencias de las muchas que padecía el país en esos tiempos. La primera es que el aparato judicial de los EEUU condenara a 10 años de cárcel a personas como Sinclair por el “delito” de fumar marihuana mientras cada semana el gobierno norteamericano lanzaba sobre Vietnam bombas cuyo poder explosivo era equivalente al de dos Hiroshimas y medio. Y la segunda incongruencia era la de un presidente de los EEUU -Richard Nixon- que había llegado a la Casa Blanca con la promesa de poner fin a la guerra mientras, por el contrario, ésta se intensificó, e incluso se extendió a otros países bajo su mandato.

La ultraderecha que gobernaba -y gobierna todavía en el fondo- en EEUU no podía consentir que alguien con el carisma y el poder de atracción de John Lennon se convirtiera en un líder político capaz de oponerse con eficacia a los crímenes de la más poderosa potencia imperial que había conocido la historia. Así que Lennon fue durante años vigilado y acosado por el FBI en manos del siniestro J. Edgar Hoover, tristemente célebre por ser la bestia negra de la izquierda norteamericana durante nada menos que cinco décadas.

El documental “Los EEUU contra John Lennon” narra cómo Lennon llegó a convertirse, a su llegada a dicho país, en una amenaza realmente seria para el sistema. La imagen del mismo que ofrece esta película dista bastante de la que nos suele ofrecer la prensa. Las retrospectivas sobre su carrera por lo común pasan de puntillas sobre sus ideas políticas y a lo más que llegan es a caricaturizarlo como líder del “flower power”. Sorprenderá a muchos que vean este documental comprobar como Lennon apoyó abiertamente en televisión la causa de un partido político radical como los Panteras Negras, muchos de cuyos miembros fueron encarcelados e incluso asesinados por el gobierno. Fue el caso de Fred Hampton, cuyo cadáver fue hallado en su cama, tras ser tiroteado por la policía de Chicago y el FBI en 1969.

Lennon fue durante años vigilado y acosado por el FBI

Y es que Lennon llegó mucho más lejos del “all you need is love”. Él mismo reconoció el fracaso del excesivamente ingenuo “flower power” y llegó a la conclusión de que se necesitaba algo más que buena voluntad para poner fin a los problemas del mundo. Y eso se vería con mayor evidencia en las letras de algunas de sus canciones de su época post-beatle. “Working Class Hero”, donde el artista reclama su origen social con estos versos, es un buen ejemplo de hasta qué punto Lennon era consciente de lo absurda y superflua que era la fama que le había dado el pertenecer a los Beatles:

“Keep you doped with religion and sex and tv
and you think you’re so clever and classless and free
but you’re still fucking peasants as far as i can see
a working class hero is something to be”

Te drogan con religión, sexo y tele
y tú te crees tan listo, independiente y libre
pero a mí me parece que sigues siendo un jodido paleto
un héroe de la clase obrera es algo que tienes que ser”

Lennon, hijo de un marino mercante, nació en Liverpool en 1940 y creció prácticamente huérfano. Su madre se negó a criarlo y lo dejó a cargo de su hermana. Su padre lo abandonó también. Tal circunstancia y el ambiente social en que vivió, hicieron de él un rebelde durante toda su vida. Quizá fue eso lo que impidió que la fama y el dinero le hicieran cerrar los ojos a la responsabilidad social que tenía como artista una vez alcanzó el éxito, a diferencia de tantos y tantos otros en su misma situación.

Ya durante su época como beatle, Lennon había expresado su inconformismo con la sociedad que le rodeaba, pero fue el enamorarse de la artista conceptual Yoko Ono lo que actuó como catalizador de toda su rabia contra el sistema. Yoko le proporcionó la suficiente valentía como para romper con su pasado de estrella del rock y reencontrarse consigo mismo. A partir de entonces, ambos protagonizarían la aventura un poco loca de querer cambiar el mundo a través de la música, el arte y la provocación fruto de la suma de sus grandes talentos. Por poner un ejemplo, un día dieron una rueda de prensa ocultos por una sábana con el fin de reivindicar la igualdad de los seres humanos, independientemente de su raza, su sexo, o su aspecto físico.

Yoko y John querían cambiar el mundo a través de la música, el arte y la provocación

Vietnam y la lucha por los derechos civiles eran por aquel entonces los temas políticos más candentes. La juventud era apaleada por protestar contra una guerra promovida por un gobierno que estaba matando a millones de personas en un país que luchaba por su independencia. La palabra “revolución” estaba en el aire y ése fue precisamente el título de la primera canción de los Beatles que hablaba abiertamente de política y que fue grabada poco tiempo después del asesinato de Martin Luther King y de la muerte de Brian Epstein, manager del grupo, que siempre se había negado a que los Beatles se metieran en política. La participación de Yoko Ono en el proceso de grabación de “Revolution” provocó la primera crisis del grupo y, finalmente, conduciría a su disolución dos años más tarde.

Pero aunque tanto Yoko Ono como John Lennon se declararan abiertamente revolucionarios, ello no quiere decir que renunciaran a su pacifismo militante. Es más, estaban lejos de creer que ambas cosas fueran incompatibles y decidieron utilizar su imagen pública para promover la causa de la paz. La foto de ambos en la cama durante su luna de miel con un cartel detrás de ellos que decía “Bed Peace” dio la vuelta al mundo y se convirtió en un poderoso icono que atrajo la atención de millones de personas sobre la guerra de Vietnam. Ono y Lennon estaban diciendo a sus fans que su imagen de estrellas del espectáculo no era lo realmente importante, que lo realmente importante era acabar con la guerra.

Para que el lector se haga una idea de lo que supuso la agresión norteamericana en Vietnam citaré unos fragmentos de la obra del historiador Howard Zinn, “La otra historia de los Estados Unidos”:

«Grandes zonas de Vietnam del Sur fueron declaradas “zonas de fuego libre”. Significaba que se consideraba enemigos a todas las personas que se quedaban en ellas: civiles, ancianos y niños, y que se lanzaban bombas a discreción. Las aldeas que estaban bajo sospecha de dar cobijo al Viet Cong eran sometidas a misiones de “búsqueda y destrucción”: se mataba a los aldeanos en edad militar, se quemaban las casas y las mujeres, los niños y los ancianos eran enviados a campos de refugiados.

«La CIA, en un programa llamado Operación Fénix, ejecutó -en secreto y sin juicio- a por lo menos veinte mil civiles en Vietnam del Sur, por ser sospechosos de ser miembros del movimiento comunista clandestino.

(…) Al acabar la guerra se habían lanzado 7 millones de toneladas de bombas sobre Vietnam, Laos y Camboya: más del doble de las bombas lanzadas sobre Europa y Asia en la II Guerra Mundial.»

Fue en este contexto de muerte y destrucción en masa que Lennon compuso la canción que llegaría a ser el himno oficial de las protestas contra la guerra, “Give Peace a Chance”, que fue coreada por un cuarto de millón de manifestantes contra la Guerra de Vietnam el 15 de octubre de 1969, en Washington.

Lennon era demasiado peligroso por su enorme influencia entre la juventud norteamericana

A su llegada a New York, en 1971, Yoko Ono y John Lennon se hacen amigos de Jerry Rubin, de Abbie Hoffman y de Bobby Seale, éste último presidente y fundador de los Panteras Negras. Todos ellos formaban parte de los “8 de Chicago”, que fueron detenidos y juzgados por encabezar las protestas que miles de personas realizaron contra la guerra de Vietnam durante la celebración de la Convención Nacional del Partido Demócrata en esa ciudad, en 1968. Durante cinco días, cientos de manifestantes fueron golpeados y atacados por la policía con gases lacrimógenos. Su amistad con Bobby Seale, condujo a Lennon a financiar a los Panteras Negras, lo cual iba mucho más allá de escribir bellísimos himnos de paz y amor como “Imagine”. Suponía convertirse en un verdadero activista político, en un enemigo declarado del stablishment. Había dado un paso decisivo que iba a conducirle a ser tratado por el gobierno estadounidense como tal. Así que cuando el concierto que dio Lennon en favor de la liberación de Sinclair efectivamente consiguió su excarcelación gracias al carisma del ex-beatle, el gobierno se puso muy nervioso y decidió deshacerse de él a toda costa. Lennon era demasiado peligroso por su enorme influencia entre la juventud norteamericana en edad de votar y más teniendo en cuenta que el movimiento contra la guerra había decidido apostar fuerte por el voto joven como estrategia para salir de Vietnam. El plan era organizar una gira de conciertos y manifestaciones que persiguiera a Nixon durante su periplo electoral con el fin de tumbarlo en las elecciones presidenciales de 1972 y la figura de Lennon era clave en dicho plan.

No es de extrañar, pues, que el gobierno pusiera todo su empeño en deshacerse de Lennon y Yoko. Comenzaron a acosarlos, les seguían a todas partes, les pincharon el teléfono y amenazaron con deportarles, utilizando como excusa una condena por posesión de marihuana que Lennon había afrontado en el Reino Unido años atrás.

La amenaza surtió efecto y aunque John y Yoko ganaron finalmente el juicio por deportación y consiguieron quedarse en el país, renunciaron a participar en la campaña contra Nixon por miedo a lo que pudiera pasarles. No debemos olvidar la larga lista de asesinatos políticos que tenía EEUU en su haber: Fred Hampton, Medgar Evers, George Jackson, Malcom X, Martin Luther King, etc., todos ellos culpables de querer cambiar las cosas, todos ellos asesinados por un gobierno demasiado acostumbrado a eliminar físicamente a sus disidentes. Es comprensible que el matrimonio Lennon no quisiera engrosar dicha lista.

Y sin embargo una bala conseguiría cruzarse en el camino de John Lennon a la edad de 40 años, poco después de que Ronald Reagan ganara las elecciones presidenciales. Un crimen que sigue produciendo rabia y consternación aunque hayan pasado 31 años desde entonces.

“Los EEUU contra John Lennon” tiene la virtud de completar la figura de un personaje público que durante décadas ha permanecido sesgada, al igual que la época en que vivió. Es una obra digna de figurar en nuestros “Favoritos” del género documental, altamente recomendable para todas aquellas personas que pensamos que la cultura es algo más que puro entretenimiento.


Oscar Martínez es licenciado en Historia Contemporánea, fotoperiodista y realizador de documentales, miembro fundador de la asociación cultural Roig y editor de la revista D'un roig encès.
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sábado, 17 de setembro de 2011

Beatles se recusaram a tocar para plateia segregada nos EUA


Uma lista de exigências feita pelos Beatles em 1965 para realizar um show nos Estados Unidos incluiu a recusa da banda em tocar diante de uma plateia em que brancos e negros estivessem segregados.

O contrato contendo as demandas do lendário grupo de Liverpool mostra que os Beatles tinham um posicionamento claro em relação à política racial discriminatória em vigor nos Estados Unidos, em um momento em que o movimento de direitos civis comandado por Martin Luther King começava a ganhar força.

No ano anterior, Luther King vencera o Prêmio Nobel da Paz por sua campanha pacífica de desobediência civil contra a política segregacionista ainda em vigor em boa parte dos Estados Unidos.

Humildade

O documento com as pré-condições para tocar no Cow Palace, em Daly City, no Estado americano da Califórnia, mostra ainda uma humildade que destoa das listas de exigências feitas por roqueiros atualmente.

O documento, assinado pelo empresário do grupo, Brian Epstein, diz que a banda não iria tocar diante de ''uma plateia segregada'' e solicita um camarim contendo ''quatro camas portáteis, espelhos, um isopor para para guardar gelo, uma TV portátil e toalhas limpas''.

O grupo faz ainda um prosaico pedido por ''eletricidade e água''.

As únicas exigências mais elaboradas foram pedidos de que ''150 policiais uniformizados forneçam proteção'' à banda e a solicitação de ''um palco especial para a bateria de Ringo (Starr)''.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

26 milhões saem da pobreza no país

Clique na imagem para ampliar. Vale a pena.
 A desigualdade de distribuição de renda no país caiu 5,6% e a renda média real subiu 28% entre 2004 e 2009. Os dados estão no comunicado Mudanças Recentes na Pobreza Brasileira, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O índice de pessoas com renda mensal igual ou superior a um salário mínimo per capita - consideradas não pobres - subiu de 29% para 42%. O número de pessoas nessa faixa subiu de 51,3 milhões para 77,9 milhões no período. Na época da pesquisa, o salário mínimo era estipulado em R$ 465,00.

Já a camada considerada pobre - classificação que se refere a famílias com renda per capita, na época, entre R$ 67,00 e R$ 134,00 - diminuiu de 28 milhões para 18 milhões. Os extremamente pobres com renda per capita inferior a R$ 67,00 passaram de 15 milhões para 9 milhões.

Uma das conclusões destacadas pelo pesquisador da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea Rafael Guerreiro Osório é que, apesar de abrangente, o Bolsa-Família não garante ascensão social. O pesquisador, porém, acrescentou que um estudo do Ipea mostra que, dobrando-se o orçamento do Bolsa-Família destinado a pessoas já atendidas seria possível chegar à erradicação da miséria. "Isso corresponde a aumentar de R$ 12 bilhões para R$ 26 bilhões o orçamento destinado ao programa", observou, lembrando que cada vez menos a pobreza é determinada pela baixa remuneração, mas pela desconexão com o trabalho. A parcela de 29% das famílias extremamente pobres não tem nenhuma conexão com o mercado de trabalho.

Fonte: CP.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Finalmente a independência do BC

Fonte da imagem: AQUI.
 
Por Yoshiaki Nakano, para Valor Econômico
 
O Banco Central (BC) tomou a decisão de reduzir em 0,5 ponto percentual a sua taxa de juros, o que surpreendeu o mercado financeiro. Os seus "porta vozes", por meio da imprensa, falaram em quebra de "protocolo", da "liturgia" e na subversão aos "princípios mais valiosos" do sistema de metas de inflação. Isso teria deixado o mercado "perplexo" segundo a imprensa. Mas, afinal, qual era esse protocolo ou liturgia a que o mercado estava acostumado? Quais eram esses "princípios mais valiosos do sistema de metas de inflação" que o BC teria abandonado?

De fato, o BC, que não tem na sua diretoria atual funcionários de bancos privados, como tivemos nas diretorias anteriores, surpreendeu os tesoureiros e economistas dos bancos privados, que estavam acostumados a uma relação, no mínimo, promíscua. Nessa relação, o Banco Central reagia às expectativas de inflação dos economistas dos bancos privados, materializadas na pesquisa Focus e nas taxas de juros futuras das operações efetuadas pelas tesourarias.

Na véspera das reuniões do Copom, a imprensa fazia a pesquisa informando o Banco Central, qual o aumento ou redução em que a maioria dos bancos e empresas de consultoria apostavam. Lógico que a maioria sempre acertava. Esse era o protocolo ou a liturgia seguidos pelas diretorias anteriores do Banco Central sempre ocupados por funcionários do sistema bancário. Na última reunião de agosto, esse protocolo foi de fato abandonado. Daí a grande surpresa e perplexidade do mercado financeiro. A rigor, o BC finalmente tornou-se independente do mercado.

Banco não tem na sua diretoria atual funcionários de bancos privados, como tivemos nas diretorias anteriores
Nesse protocolo ou liturgia prevaleciam, evidentemente, os interesses dos mercados financeiros. Se as expectativas de inflação e de taxas de juros futuras do próprio mercado financeiro guiavam as decisões do Banco Central, os riscos de erros nas projeções eram minimizados e as possibilidades de ganho maximizadas. Vale lembrar que, no Brasil, o Banco Central fixa a taxa Selic, que é a mesma dos títulos públicos de longo prazo e, que serve de base (CDI) para a fixação das demais taxas de juros ativas e passivas. Assim, a indexação dos ativos financeiros à taxa diária Selic/DI elimina o risco da variação da taxa de juros e, tal "protocolo" entre o mercado e o Banco Central reduzia o risco de erros de expectativas. A dita "perplexidade" do mercado é compreensível, pois agora aumentam os riscos de serem surpreendidos se errarem nas as suas projeções.

Outro aspecto que merece atenção é que muitos economistas de bancos ou de consultorias ligadas ao mercado financeiro imputam a última decisão do Banco Central como subversão das regras ("princípios mais valiosos") da política monetária baseada em metas de inflação. Nada mais longe da verdade. A rigor, o sistema de metas que tínhamos no Brasil, era um arremedo do verdadeiro. Como a variação da taxa de juros tem uma defasagem longa, de seis a 12 meses, para ter efeitos mais relevantes sobre o lado real da economia (demanda agregada) e sobre a inflação, a taxa de inflação relevante, que tem que ser monitorada, é a taxa estimada para os próximos seis a 12 meses. Portanto, o sistema de metas pressupõe um bom sistema de previsão de inflação futura para compará-la com a meta e daí tomar a decisão de mudar a taxa de juros. No Brasil, além de considerarmos a inflação medida e acumulada de doze meses, portanto, referente ao passado, estamos presos à inflação calendário.

Além da inflação passada de 12 meses dificilmente ser uma projeção correta da inflação futura, a não ser por acaso, não consideramos nem mesmo a inflação contemporânea. Se esta for mais relevante para extrapolarmos para o futuro, a taxa de juros deverá ter um comportamento completamente diferente do nosso caso.

Por exemplo, a taxa de inflação de agosto foi de 0,37%, portanto, anualizando temos como taxa de inflação referência 4,5%, coincidindo com a meta. A taxa de juros deveria ser muito menor. Ao utilizarmos a inflação passada de 12 meses como referência, temos que manter a taxa de juros em níveis elevados mesmo que as pressões inflacionárias efetivas tenham desaparecido e a inflação contemporânea esteja dentro da meta. É compreensível que aqueles que ganham com juros elevados defendam os "princípios mais valiosos" da atual regra.

Outro aspecto que chamou a atenção dos "porta-vozes" do sistema financeiro é que o BC não está considerando só a taxa de inflação, mas o crescimento da economia, como se isso fosse um pecado mortal praticado pelo banco. Novamente, isso representa uma ignorância sobre o sistema de metas de inflação ou a defesa de interesses setoriais. O sistema de metas pressupõe que a taxa de juros afeta a inflação por diversos canais, entre eles o da demanda agregada ou o hiato do produto. A taxa de juros não afeta diretamente a inflação. Assim, ao elevar a taxa de juros, o Banco Central pretende eliminar o excesso de demanda ou atingir o hiato zero para assim controlar a inflação.

O Banco Central do Brasil agiu de forma correta se seus estudos técnicos e as projeções de seus modelos indicam tanto a desaceleração do nível de atividade econômica, como a queda nas pressões inflacionárias nos próximos 12 meses. Se isso for verdade, estamos mais próximos de um verdadeiro sistema de metas. Se acrescentarmos que o ministro da Fazenda anunciou um aperto fiscal maior para poder afrouxar a política monetária, estamos iniciando uma nova era e podemos caminhar para um novo regime de política macroeconômica compatível com crescimento acelerado e sustentado.

Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Leis para punir empresas corruptoras são boicotadas no Congresso

Um esquema de desvios na área de transportes do governo causou prejuízo aos cofres públicos de R$ 682 milhões, 13% do valor dos contratos auditados pela Controladoria Geral da União (CGU). Para punir os corruptos, a CGU abriu processos contra 31 pessoas. Já o futuro dos corruptores depende da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP). Ambos receberam o relatório da auditoria e, agora, têm elementos para tentar incriminar a conexão privada dos desvios.

Não se deve esperar, porém, que as empresas que se beneficiaram da bandalheira sejam punidas. A legislação brasileira não prevê a criminalização delas, só a das pessoas físicas que operavam em nome das corporações. E o Congresso não parece disposto a mudar isso.

Em fevereiro de 2010, o governo mandou ao Legislativo projeto que cria mecanismos para punir empresas que cometam crimes contra órgãos públicos. Dezessete meses depois, a proposta não saiu do lugar.

Em maio de 2007, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) apresentou projeto para tipificar, do ponto de vista criminal, a corrupção ativa de empresas. Há 33 meses, o texto repousa em uma comissão da Câmara que poderia votá-lo e enviá-la direto ao Senado, sem necessidade de remeter ao plenário.

“Nós estamos sem forças na Câmara. Há 27 projetos de combate à corrupção prontos para serem votados e não conseguimos colocá-los em pauta”, diz o coordenador da Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção, deputado Francisco Praciano (PT-AM). “A sensação que dá é que medidas estruturais contra a corrupção não encontram eco no Congresso”, afirma Fontana.

Em agosto, Praciano cobrou oficialmente do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a instalação, “com a máxima urgência”, de uma comissão especial para debater o projeto do governo. O requerimento oferece a Maia um argumento para ele pressionar os partidos a indicar integrantes da comissão. Esse é o motivo de ela não existir ainda.

O projeto está sujeito a uma comissão especial desde que chegou à Câmara. Isso acontece sempre que uma proposta tem conteúdo abrangente e precisa passar por ao menos quatro comissões.

Em 2010, o então presidente da Casa, Michel Temer (PMDB), hoje vice da República, determinara a criação da comissão, mas faltaram as indicações partidárias. Maia repetiu o gesto em maio, mas o Partido Verde (PV) não providenciou a indicação.

CGU: prioridade

O movimento de Praciano foi combinado com a CGU. Autora do texto junto com o ministério da Justiça, a Controladoria considera a aprovação uma prioridade para melhorar proteção do erário.

“A legislação brasileira atual é falha e incompleta no tocante a medidas repressivas diretas contra as empresas envolvidas em corrupção”, diz o secretário-executivo da CGU, Luiz Navarro. “As penas mais fortes alcançam apenas as pessoas físicas dos dirigentes e empregados. Mas é muito difícil, senão impossível, alcançar o patrimônio da empresa para obter o ressarcimento do dano causado à administração pública.”

Hoje, só as pessoas que trabalham para as empresas estão, de forma individual, ao alcance da lei por lesar a administração pública. O projeto do governo tenta contornar isso. Descreve o que seriam atos corruptores e fraudes. E oferece dois modos de punir tais condutas.

Primeiro: permite que órgãos públicos apliquem sanções administrativas às empresas - como independeriam da Justiça, as decisões seriam mais rápidas. Haveria multas, indenização, proibição de assinar contratos com o governo e exposição pública do condenado, entre outras.

Segundo: com base nos atos corruptores descritos, o Ministério Público e outras entidades públicas poderiam entrar na Justiça para recuperar o dinheiro desviado (inclusive confiscando o patrimônio da empresa) e pedir o fechamento da firma.

A proposta do deputado Henrique Fontana tem dispositivos muito parecidos. Para ele, a ação dos agentes privados é tão nociva ao interesse público quanto a dos servidores. Neste ano, a Polícia Federal já prendeu 400 pessoas por participação, no lado privado, de esquemas fraudulentos. Os funcionários públicos algemados eram menos da metade.

"Se você pegar os 30, 40 maiores escândalos de corrupção, é praticamente nula a punição dos corruptores", diz Fontana. "O corruptor é impune no Brasil."

O projeto dele está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara desde dezembro de 2008. Em um ano e meio, tinha sido aprovado nas comissões de Trabalho e de Desenvolvimento Econômico. Na CCJ, ganhou a relatoria do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Até hoje, não houve parecer ou audiências públicas para discutir a idéia.

Poder econômico

Há duas pistas para entender a dificuldade de endurecer contra os corruptores. A primeira é o perfil dos parlamentares. A bancada empresarial é a maior do Congresso. Tem 45% das vagas, de acordo com estudo feito a partir da biografia de deputados e senadores pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A segunda é o tipo de financiamento de campanhas políticas no Brasil, com predomínio de doações empresariais. Nos últimos dias, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação para acabar com as contribuições de pessoas jurídicas.

“Vem daí a defesa, pelos políticos 'devedores', dos interesses econômicos dos seus doadores na elaboração legislativa, na confecção ou execução do orçamento, na regulação administrativa, nas licitações e contratos públicos etc", diz a ação da OAB.

O fim das doações privadas e sua substituição pelo financiamento público de campanhas estão sendo debatidos atualmente na Câmara em um projeto de reforma política que está sendo relatado por Henrique Fontana.

Vítimas de abuso contra Bento XVI


Vítimas de abusos sexuais praticados por padres, chateadas porque nenhum prelado de alto escalão da Igreja Católica Romana foi processado, decidiram ir ao Tribunal Penal Internacional (TPI), na Holanda, ontem, pleiteando investigação do papa Bento XVI e de cardeais por possíveis crimes contra a humanidade. 

Para o Vaticano, trata-se de um golpe publicitário "ridículo".

O Centro para os Direitos Constitucionais, uma ONG de Nova Iorque, entrou com o requerimento argumentando que a Igreja Católica manteve um "sistema longo e disseminado de violência sexual", apesar das promessas de que os predadores sexuais seriam afastados e punidos.

CP

terça-feira, 13 de setembro de 2011

CAIS DO PORTO - PORTO ALEGRE

Fonte: Correio do Povo
Foi divulgada na capa do Correio do Povo de hoje, conforme acima, imagem do que seria o Cais do Porto de Porto Alegre, após remodelação.

Por ter conhecido o Puerto Madero de Buenos Aires e a Estação das Docas de Belém era grande defensor da ideia de revitalização dessa área da capital.

Vendo, porém, a imagem hoje publicada, fiquei muito, enormemente, decepcionado.

Não é um projeto de revitalização do Cais do Porto voltado para os habitantes de Porto Alegre. São monstrengos de concreto e aço que visam somente o lucro imobiliário.

Acho que o porto não ficará mais alegre.


Estação das Docas - Belém

Puerto Madero - Buenos Aires

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

“Al final, Marx tenía razón: el capitalismo es autodestructivo”.

Fonte desta imagem: AQUI.

Nouriel Roubini, el "gurú" del sistema que se hizo famoso prediciendo la crisis de 2008, concedió recientemente una entrevista televisada al Wall Street Journal. Los compañeros de alternet.org se tomaron la molestia de transcribir el curioso fragmento que a continuación, traducido al castellano, reproducimos en SP. 

Wall Street Journal: Usted pintó una imagen sombría del crecimiento económicobajo par en curso, con creciente riesgo de otra recesión a la vuelta de la esquina. Eso suena terrible. ¿Qué puede hacer el gobierno y qué pueden hacer las empresas para volver a encarrilar la economía, o se trata simplemenete de sentarse y esperar la tormenta?

Roubini: Las empresas no están haciendo nada. No están sirviendo de ayuda. Todo este riesgo no hace sino ponerlas más nerviosas. Tiene su lado bueno esperar. Dicen que están haciendo recortes porque hay exceso de capacidad y que no contratan a trabajadores porque no hay suficiente demanda final, pero hay una paradoja aquí. Si no estás contratando trabajadores, no habrá suficientes ingresos salariales, suficiente confianza en los consumidores, suficiente consumo, no habrá suficiente demanda final. En los últimos dos o tres años hemos experimentado un genuino empeoramiento porque hemos asistido a una radical redistribución del ingreso desde el trabajo hacia el capital, desde los salarios hacia los beneficios, y la desigualdad de ingresos ha crecido y la propensión marginal al gasto de un hogar es mayor que la propensión marginal de una empresa, porque, si comparamos empresas con hogares, éstos últimos tienen más propensión al ahorro. De modo que la redistribución del ingreso y de la riqueza empeora el problema de la inadecuada demanda agregada.

Karl Marx llevaba razón. Llegado a cierto punto, el capitalismo puede destruirse a sí mismo. No puedes perseverar en el desplazamiento de ingresos del trabajo al capital sin tener un exceso de capacidad y una falta de demanda agregada. Y eso es lo que ha ocurrido. Pensábamos que los mercados funcionaban. Pues no están funcionando. El individuo puede ser racional. La empresas, para sobrevivir y salir adelante, puede abaratar más y más los costes del trabajo, pero los costes del trabajo son los ingresos y el consumo de algún otro. Por eso es un proceso autodestructivo. 

Nouriel Roubini es profesor de economía en la New York University

Traducción para www.sinpermiso.info: Miguel de Puñoenrostro
 
 sinpermiso electrónico se ofrece semanalmente de forma gratuita. No recibe ningún tipo de subvención pública ni privada, y su existencia sólo es posible gracias al trabajo voluntario de sus colaboradores y a las donaciones altruistas de sus lectores. Si le ha interesado este artículo, considere la posibilidad de contribuir al desarrollo de este proyecto político-cultural realizando una DONACIÓN o haciendo una SUSCRIPCIÓN a la REVISTA SEMESTRALimpresa

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O VENENO ESTÁ NA MESA


CONVITE
O Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA/RS, a Cáritas Regional/RS, o Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos, o Centro de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor, o Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual e o Comitê da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, convidam para participar do Debate sobre o DocumentárioO Veneno está na Mesa”, dia 12 de setembro de 2011, às 14 horas,  no Auditório do Palácio do Ministério Público Estadual, na Praça Marechal Deoodoro 110, 3º andar, Porto Alegre, conforme programa anexo.

Serão debatedores: Sr. Leonardo Melgarejo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)  e a Sra. Maria José Guazelli, Engenheira Agrônoma, Fundadora do Centro Ecológico de IPÊ/RS.

A referida atividade integra a Tenda da Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável que é uma organização menos formal e ocasional, de abrigo a um leque amplo e variado de iniciativas e atividades relacionadas à Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (SANS).

Antecedendo e durante a V Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS – V CESANS RS, sob a coordenação geral da Subcomissão de Conteúdo e Metodologia, a Tenda da SANS oferecerá atividades gratuitas, com coordenações próprias e autogestionadas, em diversos locais e horários e aberta ao público interessado nas temáticas programadas que são relacionadas com o tema geral da Conferência: “Implementação do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS”.

Maiores informações entrar em contato com Sheila da Comissão de Direitos Humanos do CONSEA/RS (51 9102 1941) ou com Altair da Cáritas Regional (51 3272 1700).

A presença de todos e todas é indispensável!
Atenciosamente!

Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA/RS
Comitê da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos do MPE
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor do MPE
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MPE
Cáritas Regional/RS


PROGRAMA
14h – Abertura: Acolhida dos participantes e Apresentação dos Organizadores
14h 15min – Introdução ao Documentário e Divulgação da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
15h – Debate sobre o Veneno está na mesa:
Sr. Leonardo Melgarejo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) 
Sra. Maria José Guazelli, Engenheira Agrônoma, Fundadora do Centro Ecológico de IPÊ/RS.
16h - Debate entre os participantes
17h - Encerramento