sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Congresso de hackers explora lados político e lúdico da ciberpirataria

Logo do Chaos Computer Club

"Ser hacker é um estilo de vida, fazer mais perguntas, tentar entender", diz Chaos Computer Club, que se reuniu em Berlim, abordando temas como censo e armazenamento de dados, mas também ensinando como arrombar cadeados.

 

Sob a sigla 27C3, transcorreu de 27 a 30 de dezembro em Berlim o 27º Chaos Communication Congress, o encontro anual do grupo de hackers Chaos Computer Club (CCC), maior grupo europeu de hackers.

Baseado na Alemanha, o clube se autodefine como "uma comunidade galáctica de formas de vida, independente de idade, sexo, raça ou orientação social, movendo-se entre fronteiras em prol da liberdade de informação".


Em palestras e oficinas, os 3 mil participantes se informaram sobre temas políticos e técnicos, desde censura, vigilância de dados e direitos autorais até segurança em telefonia pela internet (VoIP) e métodos para piratear smartphones.

"Torpedo da morte"

Por exemplo, no dia de abertura do congresso, Collin Mulliner and Nico Golde, dois especialistas em segurança de celulares da Universidade Técnica de Berlim, apresentaram o que designam como SMS of death (torpedo da morte): inundando telefones celulares com mensagens maliciosas, eles descobriram erros de programação nos aplicativos de leitura de textos.

Em certos casos, esses bugs permitem congelar o aparelho, forçando-o a reinicializar-se continuamente. Um ataque em grande escala poderia até mesmo causar o colapso de toda uma rede de telefonia móvel, ao induzir dezenas de milhares de telefones a se reconectarem simultaneamente, teorizaram Mulliner e Golde.

Vítimas em potencial seriam todos os aparelhos de gerações mais antigas, que não sejam smartphones, das firmas Sony Ericsson, Samsung, Motorola, Micromax e LG.

"Chaos" criativo

Fundado em 1981, o Chaos Computer Club é o mais antigo clube de ciberpiratas do mundo. Desde então, ele tem se destacado por expor falhas de segurança informática e por questionar a tendência generalizada à vigilância de dados acirrada, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Em março de 2008, num protesto contra o uso crescente de dados biométricos por parte das autoridades, membros do CCC obtiveram as impressões digitais do então ministro alemão do Interior Wolfgang Schäuble, e as divulgaram. Para tal, retiraram as marcas de um copo d'água usado pelo político conservador durante um evento público.

No congresso de 2007, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, apresentou um projeto inicial do agora controvertido site dedicado à revelação de documentos oficiais de potencial interesse público. Lá, Assange conheceu Daniel Domscheit-Berg, um integrante do CCC considerado, até poucos meses atrás, o número dois do WikiLeaks.

Apoio ao WikiLeaks

Embora os dois grupos não sejam oficialmente associados, Frank Rosengart, porta-voz do CCC, confirma que sua organização apoia o WikiLeaks. Ambos perseguem metas semelhantes, sobretudo no que concerne a uma maior transparência no governo, ou o que Rosengart denomina "governo legível em máquina" (machine-readable government).

"Para nós, o WikiLeaks é a forma certa de agir: divulgar informação", comentou o porta-voz. "Manter a privacidade, manter as fontes anônimas é uma parte muito importante do software e uma boa forma de pirataria, para revelar o jogo de um sistema que funciona dessa maneira."

Segundo Rosengart, os congressos são, acima de tudo, um ponto de encontro favorável à colaboração técnica, como foi o caso com o WikiLeaks. "Há muitos projetos acontecendo – por exemplo, de programação de código aberto – e algumas pessoas se encontram aqui. Elas se conhecem online, trabalham, programam softwares juntas, mas se encontram aqui pela primeira vez, na vida real."

Recenseamento invasivo

Um dos focos do 27C3 é o armazenamento oficial de dados, que tem crescido dramaticamente nos últimos nove anos. Com o fim declarado de prevenir novos atentados terroristas, diversos governos, entre os quais o alemão e o estadunidense, passaram a armazenar um maior número de dados sobre os seus cidadãos.

O AK Vorrat – Grupo de Trabalho para Armazenamento de Dados – combate justamente nesse front. Sua campanha contra a lei de retenção de dados na Alemanha, em 2008, contribuiu para que ela fosse declarada inconstitucional, dois anos mais tarde.

Atualmente, a principal preocupação do AK Vorrat é o censo de 2011 no país, sobretudo as perguntas invasivas dirigidas às pessoas de fé muçulmana. Ele chama a atenção para o fato de que os dados coletados não serão anonimizados antes de quatro ou seis anos, e teme seu mau uso por parte de políticos.

Algoritmos para a vigilância

Porém, é claro, os interesses do encontro dos hackers internacionais ultrapassam as fronteiras da Alemanha. O Fórum de Informáticos pela Paz e Responsabilidade Social (FIFF) denunciou o Indect, um projeto de pesquisa em nível europeu que desenvolve tecnologias de vigilância para os governos.

Iniciado pela Plataforma Polonesa de Segurança Nacional, ele tem como meta "desenvolver algoritmos e métodos novos, avançados e inovadores para combater o terrorismo e outras atividades criminosas que afetem a segurança dos cidadãos" – como consta de seu site.

De acordo com Kai Nothdurft, membro da FIFF, o Indect coleta informações de diferentes origens, desde websites e redes sociais a bancos de dados governamentais e filmagens de manifestações políticas feitas por UAVs (veículos aéreos não tripulados).

"Eles combinam dados com imagens de câmeras de vigilância em locais públicos e usam reconhecimento facial", alertou. "Isso é uma coisa muito perigosa, pois todas essas técnicas se potencializam, ao serem combinadas." A FIFF é uma ONG alemã que se dedica em especial a questões de privacidade e segurança, assim como ao emprego de tecnologia em armas, robôs e na ciberguerra.

"Hacking": um estilo de vida

Embora os temas políticos sejam o grande foco do congresso de ciberpirataria, há espaço para workshops práticos e divertidos, ensinando a recuperar dados de um disco rígido quebrado ou como piratear o console de jogos Playstation 3. Há até mesmo um estande do clube alemão dos arrombadores de fechadura.

"Entrar por uma porta ou abrir um cadeado de que não se possui a chave é também uma técnica de hacking", explica uma afiliada do grupo, de pseudônimo Snow Goose. Mas ela insiste que o clube tem regras éticas: "Não ensinamos ninguém a entrar na casa de outras pessoas. Arrombe sempre só as suas próprias fechaduras!"

Curiosidade, investigação tecnológica, consciência cívica e ética parecem ser o que une os mais diferentes hackers. Para Frank Rosengart, trata-se, acima de tudo, de um estilo de vida.

"Piratear é fazer mais perguntas, tentar entender, usar dispositivos eletrônicos de forma diferente do que está no manual. Acho que temos que nos aventurar por aí com esse tipo de estilo de vida e tentar fazer um mundo melhor", resume o porta voz do Chaos Computer Club.

Autoria: Cinnamon Nippard / Augusto Valente
Revisão: Carlos Albuquerque

SUGESTÃO PARA FÉRIAS: BEBER URINA ALUCINÓGENA

Instalação artística testa reação a consumo de alucinógenos por renas

Uma instalação de arte em uma estação abandonada de trens em Berlim, na Alemanha, vem testando a reação das pessoas à sugestão do consumo de cogumelos alucinógenos por um grupo de renas.

A urina das renas, supostamente também alucinógena após o consumo dos cogumelos, é misturada à comida de canários, camundongos e moscas, para que eventuais mudanças de comportamentos nessas criaturas também possam ser observadas.

Doze renas, 24 canários, oito camundongos e duas moscas são divididos em dois grupos iguais na exposição, permitindo aos visitantes observar o comportamento dos animais que supostamente ingeriram o alucinógeno e comparar com o comportamento dos outros que não o ingeriram.

O consumo do cogumelo pelas renas é sugerido, mas não confirmado, o que torna a experiência ainda mais intrigante – as eventuais diferenças de comportamento entre os dois grupos possivelmente observadas pelos visitantes são fruto de uma alteração química real ou produto da imaginação dos observadores?

Para completar a experiência, uma cama de hotel foi montada no meio da instalação, sobre uma base que lembra a forma de um cogumelo, permitindo a duas pessoas pernoitar no local a cada dia, ao custo de mil euros (cerca de R$ 2.230).

O pernoite dá direito a provar a urina das renas, armazenada em refrigeradores localizados nos dois lados da instalação – um para as renas que supostamente consumiram os cogumelos e outro para as que não consumiram.

Os visitantes não sabem qual grupo de renas consumiu os cogumelos – se é que consumiu mesmo -, o que torna a possibilidade de provar a urina para ficar sob o efeito da droga uma espécie de loteria. A pessoa pode acabar simplesmente tomando urina de rena sem efeito nenhum.

Escrituras sagradas

A instalação Soma, que fica no museu Hamburger Bahnhof, em Berlim, até o início de fevereiro, é fruto da imaginação do artista alemão Carsten Höller, de 49 anos, engenheiro agrícola de formação.

Ele se baseou no Rigveda, a primeira das escrituras sagradas do hinduísmo, escrita por volta de 1.500 antes de Cristo, que traz referências a uma bebida chamada Soma e que supostamente daria a imortalidade a quem a provasse.

A substância, ingerida por humanos e também pelos deuses, traria iluminação e acesso à esfera divina, além de sorte, riqueza e vitórias.

Em 1967, o banqueiro e pesquisador amador americano Robert Gordon Wasson publicou um estudo no qual afirmava que a substância à qual o Rigveda trazia referências era o cogumelo alucinógeno Amanita muscaria, consumido pelas renas em seu habitat natural na Sibéria.

Höller partiu desse princípio para testar a relação entre a arte e as drogas e verificar as alterações de percepção promovidas por um e por outro.

O material de promoção da exposição afirma que o artista “desenvolveu um cenário entre laboratório e visão, suposta objetividade e elevada subjetividade” utilizando todo o hall central da antiga estação de trem.

“Diante dos olhos dos observadores se desdobra uma ‘pintura viva’, um campo experimental simétrico, dividido em duas partes por uma linha central e que compara o mundo ordinário com o reino da Soma em uma experiência de imagem dupla”, explica o texto.

“Esta é uma experiência que encontra sua realização na imaginação do observador e cuja avaliação está sujeita ao seu poder de observação”, conclui.

BBC

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

QUE MEDA!

Ministro italiano faz advertência ao Brasil no caso Battisti


"Até onde eu sei, estou pronto para adotar outras iniciativas", declarou La Russa, ministro da Defesa de Berlusconi, no caso de não extradição de Cesare Battisti, aparentemente ainda meio em dúvida sobre o tema.

Lula, que deixa o Governo com 87% de aprovação, deve estar extremamente preocupado com a declaração de La Russa.

Provavelmente o Ministro da Defesa italiano, pertencente a um partido de extrema-direita, deve estar ensaiando em frente a algum espelho uma cara bem feia para fazer ao Lula na Transmissão de Posse para Dilma, se é que foi convidado. Cogita-se que até possa chamar Lula de feio e bobo.

Como se sabe a economia da Itália passa atualmente por grande turbulência e Berlusconi, com níveis de aprovação extremamente preocupantes, acabou de passar de raspão por uma moção de desconfiança do parlamento italiano.

Leia mais sobre esse assunto AQUI.

Lula é o Líder Planetário


O Semeador de Estrelas
Presidente Lula conquistou o recorde mundial de popularidade em relação a outros grandes ex-líderes mundiais, segundo pesquisa CNT/Sensus, com 87%. Michelle Bachelet, do Chile, saiu com 84% de aprovação (2010); Nelson Mandela, da África do Sul, com 82% em 1999; Tabaré Ramón Vázquez, do Uruguai, com 80% em 2010; Franklin Roosevelt, dos EUA, com 66% em 1945; General De Gaulle, França, com 55% em 1965; Néstor Kirchner, Argentina, com 55% em 2007; Margaret Thatcher, Inglaterra, com 52% em 1982; Tony Blair, Inglaterra, com 44% em 2007; François Mitterrand, França, com 35% em 1992; Bill Clinton, EUA, com 34% em 2001; José Maria Aznar, Espanha, com 33% em 2003; Daniel Ortega, Nicaragua, com 32% em 2010; Jacques Chirac, França, com 31% em 2007; Gerhard Schröder, Alemanha, com 30% em 2005; Fernando Henrique Cardoso, Brasil, com 26% de aprovação em 2002.

Blog do Affonso Ritter

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Folha: os sindicalistas no governo Lula

Por José Ribeiro Jr, AQUI.

A Folha de S. Paulo cada vez mais pratica um jornalismo primário e preconceituoso. O editorial da edição de hoje acusa o governo de empregar sindicalistas em cargos de direção, preenchidos sem concurso público, mas não esclarece o leitor se esses gestores agiram com dolo ou competência.

O governo FHC encheu o governo de banqueiros (ex-e futuros); o Collor, de amigos de Alagoas; o Sarney, de velhos amigos maranhenses; a Dilma deve encher de mulheres ... Por que o Lula não encheria de sindicalistas? Importa é saber se os fundos de pensão e empresas comandadas por sindicalistas (como a Caixa, a Petrobras etc) foram administradas com competência e eficiência, ou se foram envolvidos em falcatruas como nos tempos de Ricardo Sérgio, caixa de campanha de José Serra e de Fernando Henrique Cardoso.

A Folha, na verdade, tenta disfarçar o preconceito contra o trabalhador que ascendeu, como se toda ascensão social e econômica decorresse de roubo.

Gangue da Matriz


Para quem não sabe, a Gangue da Matriz era uma bando agressivo, oriundo de filhos de famílias de classe média alta, que ameaçava os vizinhos e visitantes do território que ia da Praça da Matriz, localizada em frente ao Palácio Piratini, até a Praça General Osório, também conhecida como Alto da Bronze, e imediações.
Essa gangue foi praticamente dissolvida devido ao assassinato do jovem Alex, conforme está relatado na Wikipedia:

Caso Alex Thomas

O Caso Alex Thomas refere-se ao assassinato do jovem Alex Thomas na praia de Capão da Canoa, no estado do Rio Grande do Sul em 1986, um fato que causou grande repercussão na imprensa e opinião pública gaúcha.
Na madrugada de 26 de fevereiro de 1986, o jovem Alex Thomas, então com 16 anos, caminhava pelas ruas de Capão da Canoa quando foi atacado por jovens integrantes de uma gang porto-alegrense conhecida como "matrizeiros" ou "gang da Praça da Matriz", composta por membros de famílias influentes da alta sociedade gaúcha.[1] [2]

Fato

Uma menina de 13 anos e um rapaz de 17 - caminhavam pela Avenida Paraguassu, em Atlântida, quando um grupo de sete rapazes passaram em dois veículos, gritando palavras obscenas para a menina. De acordo com os relatos do processo, os gritos foram respondidos com um gesto pelos acompanhantes de Clarice. Irritados, os ocupantes dos dois automóveis desceram e cercaram o garoto.
Alex sofreu traumatismo craniano e colapso pulmonar ao ser violentamente espancado e faleceu logo em seguida. Interrogados após o assassinato, os membros da gang confessaram ser adeptos das artes marciais e de terem usado táticas e golpes de karatê para matar Alex.
A morte de Alex Thomas causou revolta em todas as camadas sociais do Rio Grande do Sul, primeiro pela violência pela qual o jovem foi morto, mas também pela covardia e perfil dos criminosos envolvidos. O próprio juiz responsável pelo caso, José Antônio Paganella Boschi, sentiu-se em delicada posição devido à expectativa popular[3]. Todos foram condenados, exceto os rapazes, que apresentavam problemas mentais, e o futuro ator Ricardo Macchi, conhecido na gangue como "Chinês", foi liberado por ser menor de idade.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O SERVIÇO SECRETO DO POVO CONTRA O IMPÉRIO

Tecnologias de comunicação e informática cada vez mais avançadas impulsionam continuamente a revolução da informação. Mas ela também tem uma face militar, que ficou bem visível para o mundo neste ano de 2010. 

 

Se há um nome que define o atual processo de militarização do espaço cibernético, esse nome é Stuxnet. Em meados de 2010, este malware apareceu de repente, provavelmente depois que já tinha feito o seu trabalho, que era sabotar o programa nuclear do Irã e, mais especificamente, o complicado processo de enriquecimento de urânio.

O que deixou os especialistas de informática boquiabertos foi o fato de o Stuxnet ter sido projetado especialmente para a manipulação de sistemas de controle industrial. Seus criadores, que continuam desconhecidos, também conseguiram equipar o verme cibernético com poderosas ferramentas para infecção de redes com alto poder de proteção.

Stuxnet – o "míssil de cruzeiro digital"

Agora, todos os prognósticos sobre possíveis ameaças devem ser reconsiderados, já que os sistemas de controle industrial atacados pelo Stuxnet são utilizados em todo o mundo, em instalações como usinas, indústrias químicas e refinarias.

O especialista em segurança de dados Stefan Ritter, do Departamento Federal de Segurança em Tecnologia de Informação da Alemanha, localizado em Bonn, se diz preocupado, porque o Stuxnet comprova a viabilidade de ataques a infraestruturas críticas. "Não se trata mais de uma ameaça fictícia. É uma ameaça real de grande porte e extremamente sofisticada", avalia.

O perigo vindo do ciberespaço também chegou até a Otan. Na sua cúpula em Lisboa, em novembro, a aliança adotou uma nova estratégia. A organização considera os ataques cibernéticos como uma das três maiores ameaças da atualidade, além do terrorismo e das armas de destruição em massa.

EUA criam "Cyber Command"

As autoridades militares dos EUA criaram o "Cyber Command", cuja missão é a conquista do ciberespaço. Os "guerreiros cibernéticos" são comandados pelo general Keith Alexander, que também é chefe da poderosa agência NSA (sigla em inglês para Agência Nacional de Segurança), parte do Departamento de Defesa dos EUA. Em junho último, Alexander descreveu as funções do "Cyber Command".

Além da integração e sincronização de todas as atividades cibernéticas do Departamento da Defesa, Alexander afirmou que a nova unidade é responsável pela execução de "todo o espectro de operações militares cibernéticas".


O significado concreto disso foi explicado no início de novembro pelo Washington Post, três dias depois de o "Cyber Command" entrar em operação. De acordo com o diário norte-americano, o "cibergeneral" Keith Alexander deseja para si o direito de atacar redes de computadores em qualquer lugar do mundo, em defesa dos interesses americanos.

WikiLeaks, o serviço secreto do povo

Caso o "Cyber Command" pudesse, faria de tudo para tirar do ar o portal WikiLeaks. A organização, especializada na revelação de dados sigilosos pela internet, se tornou conhecida do mundo ao publicar no final de julho quase 80 mil documentos secretos dos EUA a respeito da guerra no Afeganistão. Os relatos de soldados, oficiais de inteligência e oficiais de embaixadas pintavam um quadro sombrio da situação no país e provocaram uma maior discussão sobre o significado da guerra e sobre uma retirada rápida das tropas.

As autoridades militares dos EUA espumaram de raiva. O secretário de Defesa, Robert Gates, acusou o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, de ter causado sérios danos. O militar afirmou que "a publicação dos documentos pode trazer consequências potencialmente graves e perigosas no campo de batalha para as tropas dos EUA e de seus parceiros, além de prejudicar a reputação e as relações dos EUA nesta importante região".

Sem desanimar com os violentos ataques sofridos, o WikiLeaks apresentou em 22 de outubro mais uma série de quase 400 mil documentos secretos que lançavam nova luz sobre a guerra no Iraque. Nunca antes foram revelados tantos documentos militares secretos dos EUA. O Departamento da Justiça norte-americano analisa agora se Assange não violou as leis de espionagem do país. Aparentemente, o Departamento de Defesa não conseguiu dar conta de proteger seus dados segredos.

Maior golpe veio em novembro

Mas o maior golpe dado pelo WikiLeaks veio em 29 de novembro. Cerca de 250 mil mensagens confidenciais e secretas de representações diplomáticas norte-americanas ao redor do mundo foram disponibilizadas ao público. Os telegramas diplomáticos com, entre outras informações, avaliações sinceras feitas pelos diplomatas norte-americanos sobre diversas autoridades estrangeiras afetaram um dos pontos mais delicados da diplomacia norte-americana, que é a confiança que ela gozava entre seus parceiros.

Os diplomatas norte-americanos ficaram ocupados por semanas com a amenização dos danos causados. Enquanto a Suécia tenta conseguir a extradição de Julian Assange, por conta de acusações de estupro, uma guerra estourou por causa do WikiLeaks. Provavelmente sob a pressão do governo dos EUA, prestadores de serviços de internet tiraram o WikiLeaks de seu servidor, prestadores de serviços financeiros não encaminharam mais as doações destinadas à plataforma.

Enquanto isso, simpatizantes do portal atacaram os sites de empresas e departamentos públicos que consideravam inimigos do WikiLeaks. Ao mesmo tempo, o governo dos EUA tentou tirar as lições do vazamento de dados e, para melhor proteger os seus segredos, separou as redes de dados que eram compartilhadas pelas Forças Armadas e pelo Departamento de Estado. De qualquer forma, segundo estimativa da mídia norte-americana, cerca de 2,5 milhões de pessoas possuem acesso aos dados confidenciais.

Alemães também discutem sobre dados privados 

Na Alemanha, a defesa de dados privados ocupou a opinião pública de outra forma. Desde janeiro de 2008, companhias de telecomunicações alemãs eram obrigadas a guardar, por motivo de segurança, dados das chamadas telefônicas e do tráfego de internet dos seus usuários durante seis meses. No dia 2 de março, o Tribunal Constitucional Federal definiu, no entanto, que esse armazenamento de dados é incompatível com a Lei Fundamental do país.

A briga em torno do novo serviço do gigante da internet Google, Street View, mostrou o quanto a proteção de dados privados é algo sagrado para os alemães. Desde meados de novembro, qualquer pessoa pode explorar pela internet as primeiras 20 cidades alemãs escaneadas pelo Google. Antes do lançamento do serviço, porém, houve uma discussão acalorada em torno do tema proteção da privacidade. No final, cerca de 250 mil cidadãos obrigaram a companhia a pixelizar as fachadas de suas casas no Street View.

Entretanto, eles não sabem o que estão perdendo. A interpenetração entre mundo físico e mundo virtual já produziu os seus primeiros heróis reais. Um deles é Bob Mewse. O inglês de 56 anos, residente na cidade de Bristol, se tornou famoso em novembro. Ele ficou tão decepcionado com sua aparência após se ver no Street View que passou a se alimentar de forma mais saudável e a praticar exercícios. Como consequência, perdeu um terço de seu peso.

Autor: Matthias von Hein (md)
Revisão: Carlos Albuquerque

Deutsche Welle

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CANALHA FASCISTA

 "Não considero o Jobim um fascista, um canalha, o considero defensor de uma posição equivocada".

Declaração de Paulo Vanucchi no lançamento do 4º Relatório Nacional sobre os Direitor Humanos no Brasil, ontem.

Leia MAIS.

AGRICULTURA FAMILIAR X EMPRESARIAL

Foto de Sebastião Salgado
Declaração de Nestor Hein, porta-voz da Farsul-RS, esclarecendo que o maior inimigo dos latifundiários é a agricultura familiar:

"O MST não estará entre os grandes temas envolvendo o agronegócio. O embate entre agricultura familiar e empresarial, sim".

Denise Nunes

domingo, 19 de dezembro de 2010

BEEFHEART

Ayer murió a los 69 años el pintor, compositor, guitarrista y ex hippie vocacional Don Van Vliet, que en los años sesenta se hizo famoso como el Capitán Beefheart. Socio musical de Frank Zappa, Beefheart lanzó en 1969 con su Magic Band el disco Trout Mask Replica, considerado desde entonces un hito en el rock experimental. Desde los ’80, Beefheart se dedicaba a pintar y exponer. Sufría de esclerosis múltiple. (Página/12)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Consumo da classe C cresce sete vezes desde 2002, diz estudo

João Fellet
Da BBC Brasil em São Paulo

Os gastos da classe C com produtos e serviços cresceram 6,8 vezes entre 2002 e 2010 e quase igualaram as despesas das classes A e B somadas, segundo um estudo do instituto Data Popular baseado em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Neste ano, a classe C (integrada por pessoas cuja renda domiciliar varia entre R$ 1.530 e R$ 5.100) gastou R$ 864 bilhões com o consumo, ao passo que as classes A e B desembolsaram, juntas, R$ 909 bilhões.

Com isso, a classe C, que em 2002 respondia por 25,8% dos gastos dos brasileiros, hoje responde por 41,35% e é, isoladamente, a que mais consome no Brasil.

Já as classes A e B, que há oito anos eram responsáveis por 58,1% das despesas, agora respondem por 42,9%. Apesar disso, os gastos nessa faixa social cresceram três vezes no período.

As classes D e E, que passaram a consumir 4,2 vezes mais nos últimos oito anos, mantiveram a sua participação, sendo responsáveis por 15,7% dos gastos totais dos brasileiros.

Principal mercado

“A classe C deixou de ser vista como segmento de mercado e fecha 2010 como o verdadeiro mercado brasileiro”, diz à BBC Brasil Renato Meirelles, diretor do Data Popular, instituto de pesquisas focado nas classes C, D e E.

Segundo Meirelles, o crescimento do consumo na classe C, também chamada de “nova classe média”, tem três explicações: o grupo social inchou no período, passando a englobar 50,5% dos brasileiros, segundo a Fundação Getúlio Vargas, seus rendimentos médios aumentaram, e também cresceu a oferta de crédito a seus integrantes.

Ele diz que, como resultado do maior peso da classe C, as empresas estão sendo obrigadas a produzir itens de maior qualidade e melhor relação custo-benefício.

“Como tem menos dinheiro que os clientes mais ricos, o consumidor da classe C tende a correr menos riscos na hora das compras e a optar por produtos de marcas conhecidas, de qualidade comprovada”, diz Meirelles.

Para ele, “foi-se o tempo em que produtos vagabundos e baratos serviam para esse grupo”.

Educação

O estudo do Data Popular, que usou informações da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, revela também que os gastos dos brasileiros com educação cresceram 4,4 vezes nos últimos oito anos.

O maior crescimento, de 8,6 vezes, também ocorreu na classe C. Ainda assim, os gastos do grupo nesse campo (R$ 15,7 bilhões) seguem distantes dos investimentos somados das classes A e B (R$ 34,4 bilhões).

Para Meirelles, isso ocorre porque, nesse setor, a classe C larga atrás dos mais ricos: muitos de seus membros não concluíram o ensino médio e, portanto, nem sequer poderiam gastar com o ensino superior.

Além disso, diz ele, a oferta de vagas em universidades privadas para estudantes mais pobres é um fenômeno recente.

No entanto, Meirelles crê que a classe C também acabará ultrapassando os mais ricos em gastos com educação, já que o grupo tem uma maior proporção de jovens e está consciente de que o estudo impulsiona a renda.

Utensílios domésticos

A pesquisa revela ainda que os gastos com móveis, eletrodomésticos e utensílios domésticos foram os que mais cresceram em relação aos gastos totais dos brasileiros: passaram de 22,8%, em 2002, para 32,18%, em 2010.

Nesse setor, segundo o Data Popular, a classe C já gasta mais do que as classes A e B: a "nova classe média" deverá encerrar 2010 com 45% das despesas com esses produtos, enquanto os mais ricos responderão por 37%.

A pesquisa mostra que a porcentagem de domicílios com computador passou de 14%, em 2002, para 34%, em 2009.

Na classe C, 13% das casas contavam com um computador em 2002; em 2009, eram 52%. Nas classes D e E, a presença do item subiu, respectivamente, de 1% para 15% e de 1% para 6%.

NASA EXTRATERRESTRE

Cientistas: furor sobre descoberta da Nasa é injustificável

No início de dezembro, o mundo viveu alguns dias de suspense. A Nasa anunciava a divulgação de uma descoberta que iria "impactar a busca por vida extraterrestre". Enquanto muitos esperavam a descoberta de vida fora do nosso planeta, a espera acabou no dia 2 de dezembro, quando a agência espacial americana anunciou ter encontrado, na Terra, uma bactéria que fugiu do conceito de vida que conhecemos: ela usaria arsênio no lugar de fósforo, algo nunca antes visto. Contudo, mal a pesquisa foi divulgada, muitos cientistas publicaram críticas em blogs e sites. "Como foi possível observar, o anuncio da Nasa resultou em enorme furor, em grande parte injustificável", diz Beny Spira, professor do departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

Rosie Redfield, professora de microbiologia da Universidade de British Columbia, no Canadá, por exemplo, afirmava que os pesquisadores podem ter se enganado, já que poderia haver "fósforo contaminante" nos experimentos. "Não que a pesquisa não tenha mérito ou que esteja completamente equivocada, mas a alegação de que a bactéria trocou o elemento P por A para a construção de suas moléculas fundamentais precisa ser melhor fundamentada", explica Spira. "Veja bem, algumas bactérias conseguem crescer com quantidades ínfimas de fósforo no meio, inclusive espécies que estudamos aqui no laboratório, como Chromobacterium violaceum e Pseudomonas aeruginosa, que crescem praticamente sem a adição de P no meio cultura. Como isto é possível? Não sabemos exatamente, mas a presença de traços de P em outros nutrientes adicionados ao meio é certamente um fator, e as vezes é suficiente para permitir o crescimento de uma população de bactérias".

Outro fator seria a presença de fontes internas de fósforo. "É sabido que muitas bactérias, senão todas, acumulam polifosfato, que é um polímero composto por moléculas de fosfato (PO4) interligadas, e uma das funções do polifosfato é servir de fonte de fósforo em caso de necessidade. Algumas bactérias acumulam quantidades absurdas deste polímero", diz o professor. "Outra coisa que deve ficar clara é o fato de que muitas bactérias conseguem transportar e acumular arsênio em seu interior, sem que isto resulte em sua morte. Isto não significa que estas bactérias utilizem o elemento para alguma coisa, mas que o contato com arsênio na natureza e sua captação pelas bactérias não é novidade. Já o artigo tem a pretensão de afirmar que a bactéria utiliza arsênio para construir suas macromoléculas, algo realmente inusitado", disse.

Embate alimenta a Ciência

Já para Douglas Galante, coordenador do laboratório de Astrobiologia da USP, críticas são naturais no mundo da ciência, que se alimenta do embate de ideias. "Nesse caso, como as implicações do estudo podem ser muito grandes, ele será realmente muito contestado e posto à prova", disse. "A maior crítica que está sendo feita é que o estudo é preliminar. De fato, nesse trabalho os pesquisadores não mostram com certeza absoluta que o arsênio está sendo incorporado ao DNA, formando sua estrutura, no lugar do fósforo. Eles fornecem experimentos que dão indicativos disso, e deixam claro que novos estudos são necessários".

Para Galante, a única certeza oferecida pela descoberta da Nasa é que o arsênio está presente no ambiente intracelular, e os indícios mostrados são suficientes para incentivarem mais estudos que mostrem se de fato a bactéria está usando ou não este elemento no lugar do fósforo. "Isso está sendo feito, pelo grupo da Dra Wolfe-Simon (Nasa) e por outros. E com toda essa controvérsia, certamente muitos outros cientistas irão testar essa bactéria até que uma resposta definitiva - dentro das possibilidades dos critérios científicos - seja obtida", falou o astrobiólogo.

Estratégia de publicidade

Outros críticos questionam se a Nasa deveria divulgar com tanto alarde um estudo preliminar, que possivelmente pode conter falhas. "Foi uma estratégia de publicidade da agência norte-americana, que teve grande sucesso, pois atraiu a atenção da mídia e do público para questões fundamentais da Ciência e sobre nosso lugar no Universo, e fomentou um saudável debate sobre essas questões, tanto no meio acadêmico quanto entre o público em geral, o que é sempre produtivo e enriquecedor", diz Galante.

O cientista reforça, porém, que descobertas são sempre passíveis de contestação. "Não há uma verdade absoluta. De tempos em tempos somos obrigados a rever nosso entendimento de mundo e avançar na busca do conhecimento. E muitas vezes erramos, mas o bom da Ciência é que ela é capaz de identificar os próprios erros de maneira objetiva - certamente, depois de tanta divulgação, teremos uma enxurrada de artigos mostrando se o experimento da Nasa estava errado", declarou.

Se este for mesmo o caso, os estudiosos terão que voltar à definição de vida baseada em CHONPS (carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo e enxofre). "Mas, pelo menos, teremos aprendido muito pelo caminho. Agora, se a pesquisa se mostrar correta, essa descoberta terá grande impacto sobre nosso conhecimento da vida. Porém, como diria Carl Sagan, 'afirmações excepcionais requerem provas excepcionais'. E ainda teremos que esperar um pouco por essas provas", completou.

Terra

Jazz Casual

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A memória do Coojornal

 Grupo de ex-associados da Coojornal reúne-se neste sábado (18) no salão de festas da La Pizza Mia do Shopping Total de Porto Alegre para começar a resgatar a memória do jornal do mesmo nome de marcante atuação na luta pela redemocratização do País e que circulou entre 1974 e 1982. A proposta é editar um livro, contando sua história com a reprodução de algumas reportagens, e um DVD e digitalizar toda a coleção. 

Affonso Ritter

Lula e o Povo

Kennedy Alencar, colunista da Folha de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o ritmo de viagens pelo Brasil no último mês de governo. As despedidas ao estilo Silvio Caldas têm sido criticadas.

Para alguns, Lula estaria quebrando a liturgia do cargo, comportando-se como um caudilho que não consegue suportar a perda das mordomias presidenciais.

Na opinião de outros, ele seria emotivo demais para um cargo que exigiria maior compostura. Fala-se até em desrespeito institucional.

São críticas injustas. Mais uma vez, o presidente é subestimado. Atribuem a ele intenções menores, como se o contato com a população fosse uma manipulação e não um sentimento real.

Ora, Lula é um presidente com uma trajetória pessoal e política diferente dos que governaram antes. É o primeiro metalúrgico eleito para comandar o país. Não esconde que é emotivo, chorão. Fala que governa com o coração. Nunca quis se comportar como um intelectual ou um lorde na Presidência.

Nos dias 13 e 14 de dezembro, em viagem ao Ceará, Paraíba e Pernambuco, Lula fez discursos e gestos civilizadores do ponto de vista político.

Em Missão Velha (CE), falou para uma multidão que aguardava sua chegada numa estação de trem. Ele havia andado no vagão de passageiros VIPs da ferrovia Transnordestina. Encontrou homens e mulheres sorrindo e chorando ao ver um presidente com o qual se identificavam.

No característico estilo informal, deixou o discurso escrito de lado e improvisou. Disse que os nordestinos tinham o direito de ambicionar ser mais do que serventes de pedreiro em São Paulo. Subiu o tom de voz para afirmar que podiam sonhar em ser médicos, arquitetos, advogados. Retratava a sua própria história. Desceu do palanque e foi abraçar, beijar e tirar foto com quem quisesse.

Na visita a São José de Piranhas (PB), andou dentro de um túnel que está no começo da construção. Quando ficar pronta, em 2012, a obra servirá de leito à transposição das águas do rio São Francisco. Terá 15 quilômetros.

Informado de que um grupo aparecera fora do roteiro, ele, mesmo atrasado, foi falar com cerca de 100 pessoas _a maioria funcionários da obra e seus familiares. Um adolescente veio com o pai e a mãe de João Pessoa (horas de carro em estrada ruim) para conhecer o presidente. Os dois se abraçaram e choraram.

Lula discursou sobre a emoção de um "filho de dona Lindu" executar algo que o imperador Pedro 2º sonhara realizar. Mais uma vez, repetiu que as mudanças inegáveis no Nordeste, região que tem crescido acima da média nacional, criaram oportunidades para melhorar de vida de todos ali. Incentivou nordestinos a ter orgulho de sua origem. Reconheceu que faltava muito por fazer, mas que todos deveriam ajudar Dilma Rousseff a fazer mais e melhor. Disse que, fora da Presidência, gostaria de voltar ali e participar da inauguração do canal.

Nesse mesmo dia, em Salgueiro (PE), numa tarde com 38ºC, entregou títulos de propriedade a famílias que serão reassentadas numa área rural beneficiada pela transposição. O discurso das outras solenidades se repetiu em linhas gerais, mas despertou atenção uma conversa entre uma moça e o presidente ao final, quando ele tradicionalmente desce do palanque para atender aos pedidos de fotos, beijos e abraços.
Sem os incisivos superiores, ela pediu a Lula que lhe arrumasse os dentes. Quando um repórter se aproximou, ela fechou a boca.

Passou a falar com Lula aos murmúrios. Olhos marejados, o presidente chamou o prefeito da cidade. Perguntou se ele havia recebido verba do programa "Brasil Sorridente". O prefeito disse que sim.

O presidente pediu, então, que o prefeito cuidasse pessoalmente do caso da moça, que ele iria acompanhar mesmo depois de sair do Palácio do Planalto. Virou-se para ela e deixou claro que não seria preciso pagar nada. Repetiu que era um direito dela e que ela fazia muito bem em querer colocar dentes novos, para ficar mais bonita.

Despediram-se com um beijo e um abraço daqueles de urso que Lula costuma dar. Ela se afastou e sorriu. O repórter quis saber seu nome. Envergonhada, ela tapou a boca e disse que não queria conversa.

Antes de entrar no carro para outro ato, Lula falou com Júlio Bersot, assessor que pega todos os bilhetes e pedidos nos eventos. Pediu que acompanhasse o caso da moça e que cobrasse o prefeito.

Nesses dois dias, Lula discursou e chorou muito. Não consta que tenha dito algo impróprio para um presidente com a sua biografia.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

FRASES

"Israel não sabe como derrotar o Hezbollah".

Declaração de Giora Eiland, ex-general do Exército de Israel que foi assessor de segurança nacional dos ex-primeiros-ministros Ariel Sharon e Ehud Olmert.

O INTER DE MILÃO QUE SE CUIDE...

Condenação da OEA pode “manchar” prestígio internacional do Brasil

Fuzilamentos de Treze de Maio - Francisco Goya
País terá um ano para apresentar medidas adotadas em cumprimento da sentença

José Henrique Lopes, do R7
 
Condenado pela primeira vez pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por crimes cometidos durante o regime militar (1964-1985), o Brasil poderá ver seu prestígio internacional “manchado” caso não acate satisfatoriamente as recomendações expressas na sentença da entidade, divulgada nesta terça-feira (14).

O tribunal responsabilizou o Estado brasileiro pela desaparição de 62 pessoas nos anos 70 e pela não investigação dos crimes até agora. As vítimas integravam a Guerrilha do Araguaia, reprimida pelo Exército na região onde era a fronteira entre Goiás, Pará e Maranhão.

Além disso, determinou uma série de medidas que devem ser tomadas, entre elas a investigação dos fatos e a punição dos responsáveis, a busca e entrega de restos mortais das vítimas, a oferta de tratamento psicológico aos familiares e a realização de um ato público de reconhecimento da responsabilidade do Estado.

Na sentença, a Corte Interamericana diz que a Lei de Anistia, promulgada em 1979, não poderá ser apontada como um “obstáculo” jurídico para impedir as investigações. Em abril, o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou uma ação que pedia a revisão da norma para que fosse possível punir torturadores.

Dentro de um ano, uma nova audiência deverá ser realizada para que o Brasil apresente o andamento dos trabalhos. Segundo Beatriz Affonso, diretora para o Programa do Brasil do Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), agora terá início o trabalho de acompanhamento do cumprimento da sentença. O Cejil é uma das organizações que levou a ação ao sistema interamericano, ao lado do grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo.

- Pelo menos uma vez por ano, especialmente nesses casos em que os obstáculos políticos são mais complicados, o tribunal chama uma audiência para que o Estado apresente tudo o que fez, chame os peticionários [autores da ação] e os familiares para que possam valorizar ou não, apontar o que não está sendo feito a contento, para que a corte emita novas resoluções.

Beatriz diz que, caso se constante que a evolução não é satisfatória, a Corte tem poderes para emitir novas resoluções, por meio das quais faria ajustes ou redirecionaria as atividades desenvolvidas. Ela afirma que, enquanto todas as medidas não forem implementadas, o órgão não dará o processo por concluído.
- Se, daqui a um ano, nós entendermos que as buscas [dos corpos] não estão sendo realizadas a contento, e tenhamos provas, a Corte poderá ajustar.

Uma postura reticente em relação ao que foi determinado custaria ao Brasil, na opinião da diretora do Cejil, danos à sua imagem no exterior.


- Não há dúvida de que a repercussão internacional traz um mal estar. Em mais de uma ocasião, o Estado brasileiro explicitou interesse em fazer parte de órgãos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU. Neste caso, um Estado que não tem vontade de fazer justiça a respeito de períodos de exceção não tem passe livre.


Criméia Almeida, presidente da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo, recorda a participação das Forças Armadas brasileiras em missões internacionais, como no Haiti.


- Qual a respeitabilidade de uma missão de paz que não cumpre os direitos humanos dentro de seu próprio país?


Acompanhamento


O Brasil não poderá recorrer da decisão da Corte. Segundo Beatriz Affonso, o país terá de acatá-la de forma obrigatória porque é signatário do sistema interamericano.


- O Estado é obrigado a cumprir a sentença porque ele se disponibilizou a assumir o compromisso de poder vir a ser responsabilizado por [casos de] graves violações dos direitos humanos que tramitassem nesses órgãos internacionais.


A diretora do Cejil lembra que o Brasil assinou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, chamada também de Pacto de San José, em 1992. Seis anos mais tarde, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o país aceitou a jurisdição da entidade.


O juiz Roberto de Figueiredo Caldas, responsável pelo caso na Corte, afirmou em seu voto que o Pacto de San José equivale a uma Constituição supranacional em relação aos direitos humanos, e disse que todos os poderes públicos e esferas nacionais, bem como legislações federais, estaduais e municipais de todos os Estados signatários, devem respeitá-lo.


Conforme a decisão, todos os processos relacionados à Guerrilha do Araguaia devem tramitar na justiça comum - ou seja, sem o envolvimento de tribunais militares.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Gateleaker

Johnny Rotten

La utilización política y el uso comunicacional del informante encubierto a partir de las revelaciones de Wikileaks.

Por Ximena Schinca y Luis López *, para Página/12


“Hay que construir un complot contra el complot.” Las palabras del novelista argentino Ricardo Piglia son una premisa de la escritura ficcional contemporánea. Wikileaks hizo suyo ese postulado, venganza borgeana de una realidad que copia a la ficción. Al regar al mundo con informes diplomáticos que van desde vulgares chismes políticos hasta secretos de Estado, el sitio quemó los puentes de las relaciones de la Casa Blanca con el mundo y abrió una nueva página en la forma y el fondo de las relaciones internacionales. ¿Complot virtual contra complot real?

Hasta aquí, la divulgación de estos cables que contienen impresiones y opiniones “sin filtro” de diplomáticos y funcionarios estadounidenses no hizo más que devenir vox populi aquel axioma frecuente con el que políticos, diplomáticos, operadores y periodistas interactúan cotidianamente. “Cuidame de mis amigos, que de mis enemigos me cuido yo.” En ese tablero de tácticas y estrategias –frecuentemente paranoides–, Wikileaks se erige hoy como transgresor de uno de los postulados ¿ocultos? de la comunicación masiva: el relato de la noticia, muchas veces, se construye más con lo no dicho, lo sobreentendido y lo insinuado que con aquello que se enuncia explícitamente.

Medios y periodistas conocen y aplican profesionalmente esa lógica cotidianamente; fuentes reservadas y anónimas, off the record y documentos secretos son insumos imprescindibles que, más de una vez, se transforman en noticias centrales, columnas de opinión y editoriales estrella, ostentando legitimidad y rigurosidad periodística. Con esta materia prima, gatekeepers profesionalizados o guardianes de la información, periodistas, editores y asesores de prensa elucubran diariamente sus jugadas: qué decir, cuándo, cómo, a quién y para qué. En esa maquinaria, también juegan filtraciones e infiltrados, chivatos y arrepentidos, héroes y traidores, devotos y renegados: gateleakers, que si hasta ahora sin taxonomía teórica exclusiva, siempre han gozado de una relevante pieza en el tablero del quehacer político e informativo.

Wikileaks podría convertirse en la institucionalización mediática y disgregada de ese actor tan bastardeado como utilizado por profesionales y analistas de la información; encarnación virtual del filtrador, materialización digital del informante encubierto. Entonces, podría entenderse la indignación (real o impostada) de actores políticos ante la divulgación masiva de estos cables secretos. Lanzados al ciberespacio, estos informes afectan y operan en la realidad, esparciendo opiniones, supuestos y certezas monopolizados hasta ahora como armas de poder y ventajas estratégicas en el ajedrez político e informativo internacional. Todo poder alberga sus fugas. Desde su nombre, Wikileaks asume fugas y filtraciones –dos posibles traducciones del vocablo leaks– como motor de sus acciones que se despliegan trasgrediendo al viejo orden de la información, construyendo un complot contra el complot.

Queda pendiente para nuestros días, meses y años venideros el debate sobre la condición altruista, filoanarquista, seudoanarquista, heroica, interesada, cínica, libertaria, adulta, infantil o adolescente detrás del sitio espoleado por Julian Assange. La discusión sobre las intenciones del canoso ex hacker –o de sus socios, o de sus empleadores o de sus mecenas, sus contribuyentes anónimos–, pura elucubración. ¿Resultará, finalmente, ser un falso impostor? ¿Una pieza más del complot contra el complot contra-complot? Recontra espionaje y pura futurología impotente. Lo cierto es que flujos de información –de alto impacto, inofensivo o irrisorio– circulan a velocidad crucero por canales alternativos. Información filtrando y fugando de y en medios tradicionales y nuevos. De un lado, los que ven al hombre que boga por la transparencia mundial. Del otro, los que gritan aterrados por el advenimiento del anticristo del gatekeeping.

En Hollywood, un productor cinematográfico incinera un guión que acaba de ser superado por su prima hermana: “la realidad”. Alrededor del globo, Estados, empresarios y periodistas se preguntan dónde termina lo que este hombre ha desencadenado. Y gritan y sueñan con el arresto de la información y de algún cuerpo. Mientras tanto, en algún lugar del planeta, Assange reproduce –Ipod mediante– su última descarga ilegal de música. Sentado con su laptop, sonriendo, mordaz: canta a dueto con Johnny Rotten. Que es el anticristo, que es un anarquista, que no sabe lo que quiere pero sabe cómo conseguirlo.

* Licenciados en Ciencias de la Comunicación (UBA). Miembros del Departamento de Comunicación de la Sociedad Internacional para el Desarrollo (www.sidbaires.org.ar).

Maconha pode reduzir crescimento do câncer de mama

Os componentes ativos da maconha e seus derivados poderiam reduzir o crescimento do câncer de mama e a aparição de metástases, constata uma equipe de cientistas espanhóis que testou os efeitos desta droga em ratos.

Em comunicado, os pesquisadores da UAM (Universidade Autônoma de Madri), a Universidade Complutense de Madri e o Centro Nacional de Biotecnologia destacaram nesta segunda-feira que os "cannabinoides" podem deter e acabar com as células derivadas de tumores de mama.

Essa descoberta acaba de ser publicada na revista "Cancer Cell", na qual os cientistas explicam que a pesquisa foi realizada com ratos afetados pelo modelo genético de câncer de mama MMTVneu.

Estes animais, segundo a UAM, geram de forma espontânea tumores de mama que posteriormente são transferidos por metástase ao pulmão, porque expressam elevados níveis de uma proteína chamada "oncogene ErbB2", também presente nos humanos que sofrem deste tipo de câncer.

Os pesquisadores indicaram que a propriedade antitumoral desses elementos parece vir dada pelo receptor de cannabinoides CB2, enquanto os efeitos psicotrópicos associados a esta droga se devem fundamentalmente ao receptor CB1, que é --nas palavras dos especialistas-- "o que se expressa predominantemente no sistema nervoso".

Autor: BBC Brasil 
Via: SisSaúde 

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dez anos depois, Petrobras reassume 100% da Refap em Canoas

Compra deve impulsionar investimentos de mais de R$ 1,5 bilhão na refinaria

A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas, vai voltar a ser 100% brasileira. A Petrobras comprou de volta 30% das ações, que haviam sido adquiridas pela espanhola Repsol durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A direção da estatal relatou a aquisição, nesta segunda-feira, ao deputado estadual Raul Pont (PT), líder da Frente Parlamentar Refap 100% Petrobras, que defendia a retomada do controle da unidade canoense pela petrolífera brasileira.

A compra deve impulsionar investimentos de mais de R$ 1,5 bilhão na Refap através das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), entre elas, a construção uma unidade de hidrotratamento para retirar o enxofre do óleo diesel. De acordo com Pont, o aporte vai adequar a refinaria aos padrões internacioanis de controle ambiental e torná-la mais moderna e competitiva. A movimentação financeira também deve gerar entre dois e três mil empregos, só na fase de construção.

Entenda o caso

Ao comprar uma fatia de ações da Refap em 2000, a Repsol passou a ter participação nas instâncias deliberativas da refinaria. A espanhola usava o poder de veto no conselho da Refap para se posicionar contra os investimentos do PAC.

Procurado por sindicalistas, o deputado Raul Pont criou a Frente Parlamentar Refap 100% Petrobras na Assembleia Legislativa. Em 1º de dezembro, parlamentares foram até o Rio de Janeiro para conversar com os diretores da Petrobras sobre a possibilidade de a petrolífera compras as ações de volta.

Correio do Povo

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

EUA protegeram criminosos nazistas

Relatório revela detalhes de como serviço de inteligência dos EUA protegeu criminosos nazistas após a Segunda Guerra. Diante da Guerra Fria, EUA passaram a estar menos interessados em punir tais criminosos já em 1946.
 

Documentos da CIA e das Forças Armadas norte-americanas confirmam que, após a Segunda Guerra Mundial, autoridades aliadas protegeram antigos nazistas e criminosos de guerras, caso provassem que poderiam ser úteis e cooperativos.

"Sem dúvidas, o advento da Guerra Fria outorgou à inteligência norte-americana novas funções, novas prioridades, e novos inimigos. Prestar contas com alemães ou com seus colaboradores se tornou menos urgente. Em alguns casos, isso se tornou até contraproducente", afirma o relatório divulgado na última sexta-feira (10/12) pelo Arquivo Nacional dos Estados Unidos.

"Apesar das variações, esses casos específicos apresentam um padrão: a questão de capturar e punir criminosos de guerra se tornou menos importante ao longo do tempo."

O relatório denominado Hitler's Shadow: Nazi War Criminals, US Intelligence and the Cold War (A sombra de Hitler: criminosos de guerra nazistas, inteligência dos EUA e a Guerra Fria), se baseia em informação considerada confidencial até 2005 e veio a público graças ao Ato de Divulgação de Crimes de Guerra Nazistas, um esforço de Washington com vista a uma posição mais crítica sobre seus próprios segredos.

O documento lança um olhar sobre uma série de antigos membros da SS e da Gestapo que escaparam da Justiça, com a tolerância dos Estados Unidos ou mesmo sua ajuda na fuga.

Guarda de Auschwitz protegido da extradição

Rudolf Mildner, por exemplo, foi preso inicialmente em uma operação à procura de criminosos de guerra que pudessem levar a um movimento clandestino de resistência nazista.

As autoridades norte-americanas sabiam que Mildner havia pertencido à Gestapo durante muito tempo, mas nunca o pressionaram para saber mais detalhes sobre crimes da Gestapo contra judeus ou outros grupos.

Capturado e interrogado em Viena, as autoridades norte-americanas o consideraram "muito confiável e cooperativo".

No entanto, um olhar mais detalhado sobre seu passado revelou que ele ordenara a execução de 500 a 600 poloneses no campo de extermínio de Auschwitz. Confrontado com as acusações, Mildner confessou e o relatório menciona que ele tentou racionalizar suas ações, defendendo que eram para "preservar a ordem e evitar sabotagem".

Posteriormente, países como a Polônia e o Reino Unido pediram a extradição de Mildner. Mas, de acordo com o relatório, "localizar e punir criminosos de guerra não estavam no topo das prioridades das Forças Armadas norte-americanas no final de 1946".

Acredita-se que autoridades dos EUA o protegeram da extradição e facilitaram até mesmo sua posterior fuga para a América do Sul, que se tornou um refúgio para muitos criminosos de guerra nazistas fugindo da Justiça.

Planos de Hitler para Palestina pós-guerra

O material recentemente liberado também lança luz sobre os planos da Alemanha nazista no Oriente Médio, onde as lideranças do regime de Hitler estabeleceram estreitos laços com o Grande Mufti de Jerusalém, Amin Al-Husseini.

Husseini recebeu substancial apoio financeiro e logístico da Alemanha nazista, que pretendia usá-lo para o controle da Palestina, uma vez que a Alemanha tivesse derrotado o Reino Unido no Oriente Médio. Na época, Husseini e Berlim se uniram principalmente por verem nos judeus um inimigo comum.

Os arquivos da CIA e das Forças Armadas norte-americanas agora liberados definem que os Aliados sabiam o suficiente sobre o passado de Husseini para considerá-lo um criminoso de guerra. Temendo a perseguição, ele fugiu para a Suíça, onde as autoridades locais o entregaram à França.

Por temer agitação política na Palestina, o governo britânico foi contra levar Husseini a julgamento. Ele foi então morar na Síria e no Líbano, sempre refutando acusações de ter tido laços com a Alemanha nazista. Ele alegou que visitou Berlim somente para evitar a prisão pelos britânicos.

Ex-nazistas em serviços de espionagem ocidentais

No começo deste ano, a Alemanha liberou documentos da Stasi que mostravam em detalhes como o serviço de inteligência da antiga Alemanha Ocidental empregava antigos nazistas e criminosos de guerra em sua base de pessoal. O serviço de inteligência da antiga Alemanha Ocidental foi formado com a ajuda dos aliados.

Como o bloco soviético se tornou o inimigo comum após 1945, diversos historiadores afirmaram que autoridades aliadas aceitaram amplamente que ex-nazistas escapassem da Justiça, caso suas habilidades se provassem úteis para as novas frentes da Guerra Fria.

Autor: Andreas Illmer (ca)
Revisão: Roselaine Wandscheer

DEUTSCHE WELLE

FRASES

"Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava... E nós mudaremos de volta".

Promessa de campanha  de José Serra a Patricia Pradal, diretora da petroleira norte-americana Chevron, de refazer as regras do pré-sal.

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FRASES


“Yo soy vos, soy argentino, soy boliviano, soy uruguayo, soy paraguayo, soy humano”.

Frase afixada nas paredes do Ministério da Fazenda, em Buenos Aires, ontem. Mais de 150 mil pessoas celebraram o Dia Internacional dos Direitos Humanos com um mega recital na Praça de Maio.

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SOJA LOUCA (A NATUREZA SE VINGA)

Anomalia em lavouras de soja no cerrado preocupa especialistas


Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - Especialistas acompanham com cautela a ocorrência de uma anomalia chamada Soja Louca II, que vem provocando perdas em algumas lavouras brasileiras nas áreas mais quentes de cerrado.

"Ainda não sabemos a causa desta doença ou distúrbio observado nas plantas de soja. Montamos o grupo de trabalho e estamos analisando amostras desta safra", disse Maurício Meyer, pesquisador da Embrapa que coordena o trabalho do grupo.

A anomalia impede a maturação das plantas e provoca o abortamento das flores e vagens. O problema é detectado, em média, de 50 a 55 dias após o período do plantio. E mesmo quando consegue atingir o estágio final, a planta produz um grão de menor qualidade, esverdeado ou apodrecido.

O grupo de trabalho criado para pesquisar a doença reúne pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), representantes da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e as fundações de pesquisa estaduais. Através desta parceria, os pesquisadores estão montando unidades experimentais de observação para avaliar a anomalia nas propriedades.

Os pesquisadores estão analisando três amostras de lavouras de Mato Grosso, uma de Tocantins e uma do Maranhão. Segundo Meyer, esta avaliação servirá de base para verificar o efeito do manejo de lavouras e se existe alguma relação com a palhada, cobertura do solo nos sistemas de plantio direto.

O grupo também pretende conduzir um estudo genético para detectar se ocorrem alterações nos genes, mas trata-se de um processo mais caro e que dependeria de mais recursos.

Meyer conta que observou o problema pela primeira vez durante viagem ao Maranhão no ciclo 1996/97. "Mas era um problema esporádico e localizado sem perdas significativas", disse.

"O problema aumentou e começou a provocar mais perdas nas áreas mais quentes do cerrado, no Maranhão, Tocantins, Pará e norte de Mato Grosso a partir de 2005/06", afirma Meyer. Mas ele conta que existem relatos sobre a anomalia, mas com menos perdas, no norte de Mato Grosso do Sul e do Paraná e parte de Goiás.

A análise das amostras destes três Estados deve sair em 20 dias, mas resultados mais conclusivos sobre a extensão das áreas afetadas e o impacto da doença só devem sair na fase final da safra entre março e abril, calcula o professor.

O gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Luiz Nery Ribas, ressalta que a anomalia ataca em "manchas", ou seja parte dos talhões, cujo tamanho varia em cada propriedade. Nos casos registrados nos últimos quatro anos, a Soja Louca II chegou a provocar perda de 20 a 50 por cento na produtividade.
Questionado se o problema estaria ligado ao uso excessivo de defensivos, como o glifosato, o gerente técnico afirmou que esta possibilidade está sendo avaliada. Mas observa que a anomalia também foi detectada em plantas muito novas, antes mesmo das aplicações de defensivos.

"Não se descarta nada. Tudo está sendo pesquisado, como também os estudos sobre pragas sugadoras ou tipo da palhada", afirma Ribas.

A Aprosoja sugere que os produtores façam o monitoramento das lavouras, como já vem sendo feito para a ferrugem da soja. Se qualquer anomalia ou diferença na formação da planta for detectada a recomendação é comunicar a Aprosoja, para que o grupo de trabalho possa retirar amostras para fazer as análises.

A produtora rural Roseli Giachini, que cultiva 5,5 mil hectares com soja em Cláudia, município no norte de Mato Grosso, disse que detectou as primeiras ocorrências da Soja Louca II primeira vez em 2005, mas foi na última temporada que ela viu as maiores perdas.

Segundo ela, em 2009/10, em dois talhões de 140 hectares e 130 hectares as perdas superaram 30 por cento tanto em áreas de transgênicos como de sementes convencionais. "Minha média (de produtividade) foi de 59 sacas, mas nestes talhões ficou em 40 sacas em um e 46 sacas no outro", disse Roseli referindo-se ao volume produzido por hectare.

Como já conhece os pontos onde ocorre a anomalia, a produtora monitora as lavouras, retira as amostras e envia para a Embrapa.

Nesta temporada, ela já encontrou as chamadas "manchas" nas lavouras em algumas pontos. Segundo ela, em um dos talhões de cerca de 100 hectares a ocorrência supera 10 hectares. "Estamos retirando agora as amostras, mas pela minha experiência em campo, e também como agrônoma, já posso afirmar que é Soja Louca II", afirma.

Para Roseli, a anomalia pode ser até mais grave que a ferrugem porque anda não se conhecem as formas de controle. "O desafio da ciência é descobrir o agente causal para sabermos como controlar a Soja Louca II", acrescenta.

domingo, 12 de dezembro de 2010

El día después en el Parque Indoamericano


Por Carlos Rodríguez, para Página/12

“Esos tipos nos venían a matar. Esperamos que la de hoy sea una noche tranquila.” Deborah es argentina, tiene 20 años y tres hijos. Su marido, jaqueado por el paco, una noche de descontrol vendió la casa que compartían y ella ahora vive, sin su ex pareja, en casa de sus padres, en la Villa 20. La del viernes fue, para ella, una noche “de miedo, mucho miedo”. En el barrio, dirigentes de distintas organizaciones tejen hipótesis sobre quiénes fueron los supuestos vecinos de barrios aledaños que actuaron “como mafiosos” y sembraron el terror entre los vecinos. Ayer, el ministro de Seguridad porteño, Guillermo Montenegro, afirmó que Julio Capella, el hombre filmado con un arma en la mano durante los incidentes en el Parque Indoamericano, ya no trabaja en el gobierno porteño, aunque el jefe de Gabinete nacional, Aníbal Fernández, insistió en que el sospechoso sigue en la administración macrista. La novedad es que la presencia de barrabravas de varios clubes fue asociada a dos nombres: Ciro James, el procesado ex jefe de Inteligencia de la Metropolitana, y Cristian Ritondo, el ex peronista que encabeza hoy el bloque PRO en la Legislatura.

“Las personas que el martes a la madrugada entraron a los tiros al parque, antes de que comenzara la toma pacífica de las tierras, serían hombres que trabajaron en su momento con Ciro James, en el Ministerio de Educación y en Deportivo Español, donde hoy entrena la Policía Metropolitana”, le dijo a Página/12 una fuente del barrio que conoce a la perfección los movimientos internos. Otro dirigente, que también pidió mantener su nombre en reserva, recordó que en un programa del Canal 9 “ya se tiró la relación entre (Cristian) Ritondo, (Eduardo) Duhalde y la patota que entró a los tiros” el viernes y que hirió a varias personas.

“Acá la gente conoce el ambiente del fútbol y sabe que hay barras vinculados al macrismo, que están desde la época de Ciro James y que siempre alardearon de su relación con Ritondo”, el legislador de origen peronista que hoy es el jefe del bloque macrista. “Todos conocen a los barras de Nueva Chicago que suelen andar por la villa y que, se sabe, son del círculo que maneja Ritondo. Además, no hay que descartar que hayan venido algunos ‘novatos’ de la Metropolitana a los que conocemos porque entrenan en Deportivo Español. Acá nos conocemos todos”, aseguró una tercera fuente del barrio, consultada por este diario.

Ayer, Montenegro admitió que Julio Capella “era empleado de la Obsba”, pero aseguró que “ya no lo es y ahora deberá dar cuenta de sus actos ante la Justicia”. Sobre este punto, Aníbal Fernández dio otra versión: “Son señores que trabajan para la Ciudad”, aunque aclaró que ese dato “no imputa al gobierno (porteño) en nada”. Aseguró que el hombre que aparece con pantalón rojo en las filmaciones “está identificado por Anses como empleado del Gobierno de la Ciudad y su papá o su tío es asistente en el club Boca Juniors”.

La voz, acerca del conocimiento que se tiene sobre los barras que el viernes atacaron a los ocupantes del predio, corrió ayer por todo el parque y se advertía el temor por vivir otra noche semejante, a pesar de la presencia masiva de gendarmes. “Se nos vinieron encima. Venían a matarnos. Tiraban en todas las direcciones. Nosotros tuvimos que retroceder, pero después nos organizamos y los hombres salimos a enfrentarlos, porque de lo contrario se iban a venir encima de las mujeres y de los niños”. Tiene 27 años, dice que se llama Juan, y desde hace 15 años se vino a Buenos Aires desde su Oruro natal. “Los sacamos corriendo porque éramos muchos, aunque no teníamos armas, sólo palos y algunas piedras, pero igual teníamos que defendernos o nos mataban.”

Juan está enojado con cierta prensa. “Dicen que somos vagos, que queremos tierra gratis, pero no es así. Nosotros queremos comprar nuestras casas. Más de una vez hicimos trámites en el IVC (Instituto de la Vivienda de la Ciudad), pero cuando tenía un sueldo de 500 pesos, me pedían uno de 1000 y cuando llegaba a 1000 pesos, me exigían que fueran 2500. No queremos nada gratis, queremos pagar, pero los planes tienen que ser acordes a nuestras posibilidades. Sólo eso pedimos. Y una aclaración: los que estamos acá no sólo somos bolivianos y paraguayos, hay también muchos argentinos”, sostuvo Juan.

Ayer, a pesar de la lluvia, que entre las cuatro y las cinco de la tarde fue torrencial, casi nadie se movió de los terrenos. Por el contrario, había muchos más, asentados en chozas armadas con palos y manteles de plástico. Cerca de la noche, algunos ya se habían armado casitas precarias de madera y chapas. Alejandro Salvatierra, uno de los punteros del barrio, estimó que van a ser necesarias “unas tres mil viviendas” que servirían para crear “mil puestos de trabajo digno para muchos compañeros”. Las estimaciones, hasta anoche, decían que ya están asentadas en el predio entre 1500 y 2000 familias.

Algunos de los ocupantes, como Norma Cruz, se retiraron del sitio que ocupaban en el predio y retornaron a sus lugares de origen. “Muchos de nosotros estamos inscriptos desde hace muchos años en el Instituto de la Vivienda porque vivimos en la Villa 1-11-14, pero nunca tuvimos una respuesta a nuestro pedido. Por eso nos vinimos el martes a ocupar, pero tengo miedo de los gendarmes, porque siempre que aparecen nos desalojan y nos pegan. Tengo miedo porque acá estamos con nuestros hijos.”

De todos modos, la tarde-noche de ayer se presentaba pacífica. Hubo dos manifestaciones opuestas, una de apoyo a la toma y otra de rechazo, pero ninguna de las dos generó problemas. Unos mil militantes de izquierda intentaron llegar hasta el asentamiento, para solidarizarse con los vecinos de la toma, pero la Gendarmería los retuvo en la esquina de avenida Cruz y Escalada. Había banderas del PTS, de los empleados de Kraft y de los Subterráneos, de Cerámicas Stefani, Zanón y Brukman.

Con otras intenciones, en Cruz y Piedrabuena, vecinos de los barrios aledaños repudiaron una vez más la ocupación de tierras y pidieron el “inmediato desalojo”. Esta vez, sin barrabravas a la vista, los manifestantes cortaron la calle, hicieron ruido y se fueron a dormir.

Apanhador Só

MACRI XENÓFOBO

Quatro morrem após ataque a sem-teto em parque de Buenos Aires

Quatro pessoas morreram enquanto moradores tentavam desalojar na noite desta sexta-feira cerca de mil cidadãos sem-teto, a maioria estrangeiros, que ocupam um enorme parque na zona sul de Buenos Aires. Vizinhos do Parque Indoamericano, a maioria de classe média, atacaram os sem-teto - bolivianos e paraguaios -, queimando dezenas de barracas. O ataque deixou vários feridos, segundo a TV argentina.


Uma das vítima fatais é um jovem de 19 anos que recebeu um tiro na cabeça, informou Alberto Crescenti, diretor do Serviço Médico Metropolitano de Emergência (Same). Entre os mais de dez feridos há vários baleados. Crescenti destacou que os serviços de emergência não conseguem entrar no Parque Indoamericano porque estão "atirando contra as ambulâncias".

Nos últimos três dias, os choques envolvendo os sem-teto já fizeram três mortos, sendo dois bolivianos e um paraguaio. "Não queremos uma favela no parque", gritava um grupo de pessoas, após uma assembleia que decidiu pela expulsão dos sem-teto por conta própria, sem a ajuda da polícia. Outros moradores da região bloquearam avenidas para exigir a retirada dos sem-teto do Parque Indoamericano.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, que anunciou no início da noite a criação do ministério da Segurança, criticou a ação contra os sem-teto. "Não estou disposta a ver a Argentina entrar para o clube de países xenófobos", disse.

Kirchner mirava no prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, que atribuiu os incidentes no Parque Indoamericano, sob sua jurisdição, à "imigração descontrolada" e a "organizações criminosas".

Terra

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Animação chinesa explica o caso WikiLeaks


Com legendas em inglês.

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Sobreviventes do Holocausto criticam rabinos que proibiram aluguel a árabes

Guila Flint
De Tel Aviv para a BBC Brasil

O presidente da Associação Internacional dos Sobreviventes do Holocausto, Noah Flug, condenou nesta quinta-feira um grupo de cerca de 50 rabinos-chefes de cidades israelenses que assinou um decreto proibindo judeus de alugarem imóveis para cidadãos árabes.

Flug exigiu que os rabinos retirem imediatamente o decreto e afirmou que ficou chocado com a declaração.
"Como judeu que sofreu o Holocausto, lembro-me de como os nazistas alemães expulsaram os judeus de seus apartamentos e dos centros das cidades para criar guetos", disse ao site de notícias israelense Ynet.

"Pensávamos que no nosso país isso não iria acontecer, isso é especialmente difícil para alguém que passou pelo Holocausto", acrescentou.

No decreto, os rabinos signatários ameaçam isolar da comunidade os que violarem a ordem.

O Museu do Holocausto em Jerusalém, Yad Vashem, também publicou um comunicado condenando a posição dos rabinos.

De acordo com o museu, o decreto dos rabinos é "um golpe duro para os valores básicos de nossas vidas como judeus e como um povo que vive em um país democrático".

Segundo pesquisa do Israel Democracy Institute publicada no mês passado, 46% dos cidadãos judeus israelenses não gostariam de ter vizinhos árabes, e 39% não gostariam de morar perto de trabalhadores imigrantes ou com doenças mentais.

Há cerca de 1,3 milhão de árabes vivendo em Israel (em sua maioria palestinos que permaneceram no território após a criação do Estado), que representam um quinto da população.

Críticas

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, criticou o decreto dos rabinos, afirmando que "não há lugar em um Estado democrático para esse tipo de pronunciamento".

Na quarta feira, após a divulgação do decreto, cerca de 150 pessoas se manifestaram em Jerusalém, em frente à sinagoga principal da cidade, levantando cartazes com os dizeres: "decreto dos rabinos = blasfêmia".

O ex-presidente do Parlamento israelense Avraham Burg, que estava entre os manifestantes, fez um apelo ao premiê Netanyahu para que demita os rabinos, que chamou de "nacionalistas e fundamentalistas".

De acordo com a escritora Yael Gvirtz, "depois de combater o incêndio no Carmel, devemos nos dedicar a combater o fogo do racismo".

"Esse é um judaísmo auto-concentrado, ignorante e intoxicado pelo poder", afirmou a escritora.

Segundo o site Ynet, o rabino Yehuda Gilad, do vilarejo de Maaleh Gilboa, qualificou o decreto dos rabinos de uma "deturpação grave da Torá (o livro sagrado do Judaísmo), de maneira que contradiz valores humanos básicos".

Apoiadores

Apesar das críticas, cerca de 300 religiosos acrescentaram suas assinaturas ao decreto dos rabinos nesta quinta-feira, segundo o jornal Yediot Aharonot.

Para o rabino-chefe da cidade de Ashdod, Yossef Sheinin, a proibição "se baseia na Bíblia".

"Na Bíblia está escrito que Deus deu a terra de Israel ao povo de Israel, o mundo é tão grande e Israel é tão pequeno mas todos o cobiçam, isso é injusto", afirmou Sheinin.

O rabino-chefe do assentamento de Beit El, Shlomo Aviner, que também assinou o decreto, disse que "os árabes são 25% dos cidadãos, e não devemos ajudá-los a criar raízes em Israel".

Entre os rabinos que assinaram o decreto estão os rabinos-chefes de cidades importantes como Rishon Letzion, Carmiel, Rehovot, Herzlia, Naharia e Pardes Hana e todos são funcionários públicos.