DANCINHA

domingo, 15 de junho de 2008

ANTIAMERICANISMO, HERANÇA DE BUSH


Jurandir Soares (Correio do Povo)

Uma recepção diferente foi preparada para a chegada do presidente George W. Bush em sua visita à Inglaterra, integrante da viagem de despedida de seus aliados europeus. Um manifesto, assinado por 22 intelectuais e ativistas, chama Bush de 'criminoso de guerra'. O documento traz à tona um tema que, com o passar do tempo e a trágica rotina em que se transforma a guerra, vai ficando no esquecimento. Ou seja, a responsabilidade do presidente Bush para com o que acontece hoje no Iraque, onde, segundo a Organização das Nações Unidas, tem-se mais de 200 mil civis iraquianos mortos, além de 4 mil soldados americanos mortos. Já o número de iraquianos que tiveram que abandonar as suas casas e buscar refúgio em outros países passa de 2,5 milhões.
É sempre importante lembrar que George W. Bush fez à guerra porque dizia que o Iraque tinha armas de destruição em massa. Armas que nunca foram encontradas. Bush tentou vender a idéia de que desenvolvia uma caça ao terror. Mas o terror não estava ali. Estava no Afeganistão. Era lá que estavam Osama bin Laden e os terroristas da Al-Qaeda, os responsáveis diretos pelos nefastos ataques ocorridos no dia 11 de setembro. Mas o staff petroleiro, comandado pelo vice-presidente Dick Cheney e que elegeu Bush, queria o petróleo do Iraque. E como Saddam Hussein era um ditador sanguinário que estava no poder, muita gente entendeu como legítima a ação de Bush, atacando um país e matando a sua população. O que nada mais foi do que a prática do 'crime de guerra' que está sendo denunciado agora.
Assim, não é sem razão que Bush é o responsável direto por mais uma nefasta herança que fica para os Estados Unidos: o crescente antiamericanismo pelo mundo. Um relatório do Congresso norte-americano, divulgado nesta quarta-feira, mostra que o antiamericanismo chegou ao mais alto índice já atingido por causa da guerra do Iraque. E mais: o levantamento também mostrou que Washington é hipócrita quando se trata de resolver valores democráticos.
A questão da guerra já está por demais batida, no entanto, quando foi desmascarado nos seus objetivos, George W. Bush disse que estava levando democracia para o Iraque. E aí vem a citada hipocrisia. Por que então não levar democracia para outras ditaduras da região, como Egito, Arábia Saudita e outras tantas monarquias do Golfo Pérsico? Simplesmente, porque são aliados. Este é o desserviço que Bush, ao longo de seus oito anos de governo, prestou aos Estados Unidos. Em contrapartida, o grande serviço prestado para o país e para o mundo é este relatório do Congresso norte-americano. O que prova que é possível, como tento mostrar, ser anti-Bush sem ser antiamericano.

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